22 de jul de 2010

Hai-Kais, Prosa & Esparrela

Esparrela


AMOR À GREGA
No outono de 2004, em Atenas, o Garanhão de Pelotas fazia a cobertura dos Jogos Paraolímpicos da Grécia. Ficou por lá, um mes e meio. Morava no hotel Golden City, na rua Marny, pertinho de Omônia – ponto de referência para todos os cantos da capital grega que, invariavelmente, acabam na Acrópole.

Seu parceiro de quarto era um repórter carioca, cujo nome e jornal omite, para que aquilo que aqui será contado não seja objeto de discórdia no lar doce lar do diligente jornalista.

Naquele dia, ele – um repórter antinotívago convicto – chegou ao apartamento pouco antes das 7h30, bem quando o Garanhão já saia do banho e se preparava para o café da manhã no terraço que dava para as oito colinas de Atenas. Entrou direto para o chuveiro e gritou para o Garanhão de Pelotas:

- Nos falamos lá no café!

Pouco depois, o nosso diligente e predileto correspondente paraolímpico destrinchava um cacho de uvas nativas, quando seu parceiro de quarto chegou já com sua xícara de café, um suco de laranja e dois mistos quentes com queijo de cabra. Ele foi logo passando a sua façanha:

- Pô, cara, ontem à noite na saída do hotel, encontrei uma advogada linda, novinha em folha, perfil grego e tudo mais...
- Hmmm, hmmm...
- Então, convidei-a para um cineminha. Ela aceitou.
- Hmmm...
- Depois sugeri um lanche. Ela aceitou.
- Hmmm, hmmm...
- Depois indaguei se ele toparia um hotelzinho. Ela disse que sim.
- Hmmm, hmmm... – as uvas não deixavam o Garanhão falar.
- Passamos a noite juntos. Fizemos de tudo um pouco. Foi um negócio, cara!
- Hmmm, hmmm, e daí? – conseguiu perguntar, deixando de lado uma mordidela na pita (pão em cone com molho branco, temperinho verde e lascas finas de cordeiro) que havia preparado com esmero de glutão.
- Daí que fiz de tudo. E ela deixou de tudo. E agora, na hora da despedida, quis lhe dar um beijo na boca de despedida.
- Hmmm, hmmm – lá estava curioso o Garanhão, quase se engasgando.
- Ela negou. Não aceitou.
- O quê, um beijinho na boca, ela não deixou?
- Não, nem pensar. Ela disse que na boca, nem morta.
- Que quié isso companheiro?!? Por quê?
- Porque ela é noiva, diz que ama o namorado e vai casar com ele na semana que vem.

Voltei a minha pita. Pra começar o dia, era uma boa dica sobre o que é mesmo fazer amor à grega.

Hai-Kai em letra B

BANHEIRO
Sim, triste sina... / Ser poeta da porta / D'uma Latrina.

BICHOS
Basta de gente! / E dos bichos... Prefiro / Cachorro-quente.

BISSEXUALISMO
O bem-dotado / Sorria das lésbicas... / Pro namorado.

BURRICE
Burro com poder / Vira autoridade / Mesmo sem saber.

Prosa

BESTA HUMANA - A vida me deu tempo de perceber que quando o homem se transforma numa besta magnífica, se dá o direito de viver como um homem.