11 de nov de 2010


O Garanhão de Pelotas - encoberto por seu disfarce de Homem Invisível, uma das facetas de sua múltipla personalidade - estará no encontro do imbatível Santa Fé, neste glorioso dia 20 de novembro, data de recuperação do elo perdido pelos integrantes do único time amador por vocação da cidade de Pelotas que se manteve invicto desde a data de sua fundação.

As atas, feitas pelo punho de seu atleta, fundador, presidente, tesoureiro e historiador, Sérgio Augusto Osório estão aí e não deixam mentir.  O único tropeço da brilhante trajetória do Santa Fé, foi um empate em 0 x0 com o time da Fábrica de Pregos, no estádio do Fiação e Tecidos, de saudosa memória.

Naquele jogo, Sérgio Osório escalou-se para cobrar um penalti aos 44' do segundo tempo. Na hora, apiedou-se dos adversários e, ao invés de bater na bola, chutou o cocoruto. O feito, reconhecido pelos galantes opositores, foi comemorado logo depois com uma lauto churrasco de confraternização. Era um domingo de manhã, como gostava de jogar o Santa Fé.

Pois agora, mais de 20 anos depois, o intransponível Clube Santa Fé volta a reunir-se para confraternizar e rememorar as vitórias contra pequenos times da divisão principal daqueles áureos-cerúleos tempos idos: Bancário, Farroupilha, Brasil, Pelotas e outros do mesmo naipe como Barroso, Huracan, Juventus, Caiçara, Portuguesa do Seu Mário, Portuguesa do Patê, Santa Tecla, Cometa, Ponte Preta...

A última vez que o grupo esteve reunido foi na granja da Costa, lá pelo fim da década de 80. Ninguém bebeu nada de álcool, afinal eram todos atletas e dirigentes ao mesmo tempo. E quem dirige não bebe.

A foto, extraída dos aqruivos implacáveis do Museu Santa Fé, revela quem esteve naquele já distante ano de 86, na Granja da Costa. Como o tempo passa, os remanescentes ficam mas são agraciados com dois problemas inevitáveis: um, é de memória; outro, já nem lembram mais. Assim é que fica um tanto quanto difícil proceder-se à identificação de todos os que ali pousaram para a posteridade. Os que escaparam das brumas na cabeça do redator, ainda atendem até hoje pelos seus respectivos codinomes: Joca Mendonça, Charaguaia, Paulo, Fernando Santos, Carlos Santos, Benjamin, Sérgio Siqueira, Gordo Hameister, Telmo, Paulinho Mendonça, Ignácio Mendonça, Budi...

Todos jogavam muita bola. Todos eram poetas, seresteiros e namorados de suas namoradas que torciam inutilmente pelo sucesso de suas carreiras futebolísticas. Pode não ter saído daí nenhum Fenômeno, mas hoje são todos muito bem educados, muito comportados e todos de fino trato. Tanto é que, sem medo de ser feliz, a reunião de confraternização será no salão de festas do prédio onde reside hoje a família do Dr. J. L. Mendonça - inesquecível Mundomaníaco da impoluta Rádio Universidade dos Anos Dourados.

Dona Marlene - primeira-dama do anfitrião Joca Mendonça - verdadeira lenda viva do esporte citadino, já avisou à vizinhança que, ao correr do dia, ninguém estranhe se escutar o som de um frenético bate-bola no apartamento de cima. Vai ser só o "aquecimento" para o amistoso que será realizado no recinto, logo após os comes & bebes...