20 de ago de 2010

Ora direis, eleições!...

SALVAÇÃO
Cada eleição no Brasil consagra invariavelmente o preceito de que dos males devemos escolher sempre o menor. Na melhor das hipóteses o brasileiro pode escapar pelo voto branco, ou salvar-se das nulidades anulando o voto.

PRATO FEITO
O brasileiro vota mal porque não tem como votar bem. Os partidos não deixam. Elegem antes aqueles a quem o povo deve eleger. A democracia brasileira alimenta os eleitores com pratos feitos.

CANSAÇO
O direito ao voto é tão obrigatório na democracia brasileira que aqueles que lutaram pela sua adoção, continuam lutando pela sua conservação, mas já estão enojados de cumpri-lo.

IMBECILIDADE
Os políticos descobriram que encontram em cem imbecís, muito mais razão do que no coração de um eleitor sensato. É por isso que a cada cem governantes, um não é imbecil... Nos países que tem sorte.

DESMEDIDA
Pense bem: o sistema eleitoral não está nem aí para o peso dos votos; está nas contas. A medida da democracia não é volume; é número. Os votos deveriam ser pesados e não contados.

DESTERRO
Se na república das plantas existisse o sufrágio universal, as urtigas desterrariam as rosas e os lírios. (L. Arréat - Reflexions et maximes).

PELOURINHO
Ao eleger aqueles a quem os partidos elegeram prematuramente, os brasileiros abortam o princípio do fim de sua própria liberdade. Vilipendiam a democracia: passam a ser súditos daqueles a quem doaram o seu poder de livre escolha.

E, se lhes sobra alguns raros e escassos momentos de liberdade, o seu simples uso acaba por fazê-los escravos de quem lhes permite chegar a tanto. O Brasil é um grande pelourinho eleitoral.