1 de ago de 2010

O PAC DA PEDRADA

Foi então, lá no Rio Grande do Sul, às margens do Beira-Rio e em pleno exercício de seu mandato como cabo eleitoral de dona Dilma, que o Presideus Lula foi acometido de uma tremenda saudade lá de fora. Foi o quanto bastou para despertar o grande medidador internacional que há dentro dele.

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Como não conseguiu firmar-se, lá no Oriente Médio, como O Pacificador do Urânio Enriquecido, acha que agora pode salvar a iraniana condenada a morrer pelas pedradas mortais que rolam no país do seu amigo Mohamoud Ahmadinejad.

Ofereceu, no palanque eleitoral, asilo político a Mohammedi Ashitiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento por suposto adultério: "Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil".

Como, ao contrário do que pensou e disse do conflito entre Colômbia e Venezuela, esse é um caso típico de "diferenças pessoais", Lula pensa que pode sair-se bem como O Pai das Pedras Fundamentais.

Oremos para que o Presideus se dê bem nessa empreitada. Pelo menos há - pelos estreitos laços de amizade com o companheiro Ahmadinejad, O Apedrejador - a perspectativa de que Lula consiga terminar com relativo sucesso pelo menos essa obra do PAC da Pedrada.

EXTRA!
Lula, cuja "sensibilidade" foi elogiada pela postulante Dilma, se deu conta de que estava, uma vez mais, metendo o nariz onde não era chamado. Disse que não iria se intrometer em assuntos internos do Irã. E justificou-se: "Se todo mundo pedir para um país mudar suas leis e regras, vira uma avacalhação. Então, quer dizer que na quarta-feira o que disse fazia parte apenas da cerimônia de lançamento de mais uma pedra fundamental.

EXTRA! EXTRA!
Pressionado por parte da comunidade internacional por conta do prometido apoio ao governo iraniano, o presideus voltou atrás neste sábado e ofereceu, outra vez, asilo político à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani. E arrematou com risonhos esgares salomônicos: "Ah, imaginem se os homens também fossem condenados à pena de morte por traição".

ENTRELINHAS - Disso tudo, o que se pode ler mesmo é que o tão indeciso quanto precipitado Lula que de novo foi de seca a meca, não titubeou nunca na hora de usar a pretensa proteção à pobre adúltera iraniana, como uma tábua de salvação para salvar Dilma das ondas de rejeição e da maré de antipatia com que se debate no mar do eleitorado feminino.