24 de jan de 2011

Affair em Gramado

Tremendo espadachim, o Garanhão de Pelotas sempre que começa um affair  tira uma temporada, onde possa escapar dos paparazzi  e do assédio dos fãs para curtir à la frouxée  uma boa lua de mel. O cara não é fraco, não. Note que só nesse começo de caso, a descrição foi feita com vocábulos em portugues, ingles, italiano e frances. Um preciosismo vernacular que só as raízes da sua recôndida nobreza podem explicar.
Reprodução/Site Estalagem St. Hubertus

Na realidade o Garanhão não só fugia do assédio de tietes, ele se esgueirava também das cenas de ciúme do seu trio de secretárias-executáveis diante de mais um caso sério do seu honorável amo e senhor.

Depois de muito relaxar e gozar ao crepitar da lareira que aquecia a suíte colonial da Estalagem St. Hubertus, na bucólica e acolhedora Gramado, o nosso Herói Pampesino foi com sua deslumbrante segunda pele, uma morena de olhos verdes mais profundos que o mar das Antilhas, para o bem frequentado Belle du Vallais Restaurant.

É que essas coisas de andar para cima e para baixo, despertam o apetite. Na verdade, lua de mel à boca de uma chama ardente, dá cio no estômago. E lá estava o elegante casal na mesa cinco do badalado Belle du Vallais, o restaurante mais suiço do Brasil.

Casa cheia, gente de fino trato em todas as mesas. Depois de sorver um premiadíssimo vinho da região, o Garanhão fez a pedida simples: truta com amêndoas.

Aquele clima fazia bem ao ego do garboso e lendário gaúcho pelotense. Gente bonita, rica, cara de importante, pessoas "não comuns", decerto formadoras de opinião. Era bom um certo anonimato, em ocasiões como aquela fugidinha do cotiano e das maledicências citadinas. Mas, nem tanto. A fogueira das vaidades já começava a lambiscar a alma do Garanhão.

Reprodução/site Belle Du Vallais
Eis que seus olhos varriam o ambiente quando bateram na figura do garçom que os atendera, prestando serviço à mesa de um jovem e elegantérrimo casal, de maneiras finas e gestos nobres até para destrinchar o suculento pato com laranja que tinham diante de si.

Nesse instante, o maitre  aproximou-se para fazer as honras da casa aqui, na mesa do Garanhão.

O nosso intimorato galã, não resistiu à tentação e aproveitou a ocasião para tirar do public relations  do restaurante uma pequena e inocente in/confidência:

- Por favor, quem é o casal naquela mesa; é gente importante?
- Quê nada... Eles agora mesmo perguntaram que são os senhores...

O Garanhão e seu bem-querer venceram com paz e amor aquele início de noite deliciando-se com a culinária da Serra gaúcha. Dia seguinte, no breakfast, o nosso galante Cavaleiro do Extremo Sul lia o Jornal de Gramado, com vasta circulação na região das hortências. Sua foto ocupava meia página da coluna social. A mesa daquele outro lindo par de pombinhos não foi captada pelas lentes do colunista do hight society  serrano.

MORAL DA HISTÓRIA - A virtude não caminharia muito longe se a vaidade não fosse sua companheira.