6 de set de 2010

O Garanhão e Dona Flor

A ratatulha que anda à cata de vida boa na República, saiu dos substerrâneos que habita e encheu o multifacetado Garanhão de Pelotas de mensagens malcriadas porque ele disse outro dia que "Dilma vai ser para Lula o que Celso Pitta foi para Paulo Maluf".

O Garanhão e seus blogs coalizados não editam postagens - porque blog é coisa que todo mundo pode ter, do tamanho que quiser, para dizer o que bem entende e fazer o que bem lhe der na telha.

Ao invés de ficar acessando o Garanhão e seus blogs, a pandilha dos indignados deve tratar de abrir seus próprios espaços na webmedia e revelar-se por inteiro, dos pés à cabeça - como se isso fosse possível em descerebrados. Nada mais petistamente democrático do que isso.

É o Garanhão devolvendo aos seus opositores sistemáticos o avesso da "estratégia de coalização pela governabilidade" que o governo usa tão bem quanto abusa.

Em nome das tres falsas verdades da democracia que o governo Lula nos deixa pressentir - liberdade de pensamento, de credo e de expressão - o Garanhão de Pelotas abre uma exceção e diz aqui e agora porque dona Dilma tem tudo pra ser para o seu criador, o presideus Lula, a mesma criatura que Fleury, por exemplo, foi para Orestes Quércia.

Não é só porque seja um poste que Dilma não será "Lula no governo outra vez" - como bajulou há bom tempo Zé Dirceu, antes que sob pena de uma bengalada, o mandassem calar a boca.

Não é só por isso e pela sua falta de credenciais genéticas, mas é simplesmente porque não há mulher nesse mundo que aguente ser cutucada por Michel Temer e ainda tenha que suportar o bafo de Lula na nuca o tempo todo. Nem mesmo aquela que tenha estômago de avestruz.

Temer vai querer de Dilma o que hoje é do PT: poder e boca rica; Lula vai soprar no cangote de Dilma os ventos na direção que o nariz dele aponta.

Ambos vão tirar de Dilma a coisa que ela mais gosta de fazer na vida: o prazer de mandar. Sem poder, Dilma não será a primeira presidenta do Brasil; será a primeira Dona Flor e seus dois maridos.