14 de set de 2010

Lula com Erenice. Pauta: Brasília não é Roma

Se você não sabia, sempre que permanece mais uns dias no Brasil, o presideus que mais viajou no mundo, promove uma reunião de coordenação com seus, digamos, principais discípulos. O encontro é invariavelmente às manhãs de terça-feira. Ali, eles do apostolado de como o Brasil da Silva não ter medo de ser feliz.


Pois hoje a reunião foi só com a chefe da Casa Civil, dona Erenice Guerra. Ela foi a única filha da pauta do dia. A novidade é que com essa Guerra, não houve nada de novo no front. Falaram apenas sobre coisas corriqueirasdo cotidiano do Palácio e da Casa Civil: denúncias de maracutaias cometidas embaixo do nariz do presideus. O detalhezinho de somenos importância é que dessa vez, as denúncias partiram da alvejante revista Veja e envolvem a família da sucessora de Dilma na Casa que já foi também de Zé Dirceu.

O ponto fundamental de interesse de Lula - que estava com sintomas de azia - não foi nem saber se é verdade mesmo que todo boato tem um fundo de verdade. Para ele o que mais importou saber é qual o prejuízo que isso já deve ter causado e qual o tamanho do desastre que pode provocar na campanha da postulante predileta do Palácio, Dilma - a candidata ao papel de Dona Flor e seus dois maridos, a partir de outubro.

Quer dizer, foi uma reunião extremamente profícua em termos de moralidade pública e probidade administrativa. Mas, valeu mesmo para o governo lançar mais uma versão do PAC - Plano de Ação da Credibilidade. O risco é que, a exemplo do outro, esse PAC também pode ser um tremendo fracasso.

Sucede que, desde que circula a última edição da alvejante Veja, Israel Guerra, não param de desabar novas acusações sobre o teto da família de Erenice e em cima dos ombros do anjelical Israel Guerra, filho da cria de Dilma.

Dentre umas que outras, tem aquela que mostra que Israel prestou consultoria jurídica sem registro. E tem também a descoberta do seu périplo como ocupante de vários cargos públicos comissionados, todos, por acaso, durante a administração Lula.

Para não ficar só nas costas do segundo grande genio jovem das finanças públicas desse governo, há também a denúncia de que a própria Erenice mantém duas empresas privadas, mesmo que - por notável coincidência - ela trabalhe no governo. É a velha mania de colocar a vida pública na privada.

Diante disso, a assessoria de imprensa da Casa Civil, saltou das tamancas e partiu em defesa da dona da Casa, informando que as duas empresas estão inativas e em processo de fechamento. Só não diz por quê não se interessa em saber das razões que levaram sua chefe a usar laranjas no negócio. É a comunicação social contaminada pelo vírus de bruços que destrói, como um linfoma, o jornalismo que procura a verdade "duela a quien duela".

A vesguice e o desinteresse são compreensíveis. Tem tudo a ver com o modelo ético estabelecido pelo contagiado organismo governamental. Banalizar escândalos é coisa antiga. Nada mais atual e moderno do que banalizar os fins para justificarem os meios.

E assim, justos e contratados, depois dessa longa jornada terça-feira adentro, fica estabelecido com toda clareza que Lula não é Cesar; Erenice não é mulher de ninguém. E se Brasília não é Roma... Ninguém precisa, mas pelo menos tem que parecer honesto.