14 de jan de 2012

Vingança não tem fim...

Osvaldinho Langlois, mesmo quando comemorou cinquenta anos de fundação, nunca deixou de ser um guri arteiro. Foi craque de bola. Extrema esquerda por vocação. No futebol, porque na política não dava de bico e nem se colocava.

Uma postura - epa! postura é de galinha - um comportamento meio incompreensível para quem levava a vida na brincadeira. Não há nada neste planeta mais cômico e nem mais moleque do que política.

Osvaldinho tem sempre uma piada, uma tirada de humor inteligente e afiado para qualquer situação. A gente tem que tomar cuidado com ele, se não quiser pagar um mico na frente dos outros. Ou atrás - como decerto ele emendaria rápido e rasteiro.

Eu reencontrei Osvaldinho, numa tarde de verão** na praia do Laranjal, às margens da Lagoa dos Patos, a maior do mundo, desempenhando o papel de dono do cofre da padaria do Shopping Mar de Dentro. Depois da troca de flâmulas pelo tempo decorrido - coisa de três anos - desde o nosso último encontro, eu lhe fiz o pedido como cliente da casa, cheia de clientes:

- Vou levar oito cacetinhos*, um tablete de manteiga, uma Coca-Família e 10 copinhos de água mineral com gás...
- Ah, sim, Garanhão. Você quer que embrulhe, ou vai comer aqui mesmo?

A clientela riu do meu ar de surpresa. Quando mostrava ter entendido a pequena molecagem, teve tempo de me ouvir tentando sair da saia justa, fingindo que não ouvira o cutucão:

- Osvaldinho, por favor, eu vou levar também 20 dessas empadinhas.
- Ah, sim, pois não, Garanhão. Elas estão ótimas - disse solícito, com ar de vencedor
- Ótimas? Você já as provou?
- Claro, provei, estão uma beleza, Garanhão.
- Então suspende o pedido. Não como nada babujado! Não como resto de ninguém.

Paguei a conta sob os risos da mesma freguesia. Na manhã seguinte, domingo de folga para os padeiros, fomos jogar uma pelada entre casados e solteiros, no gramado praiano do Caiçara F.C. – o estádio "Comendador Mário Franco".

Osvaldinho me encheu de passes tipo rosbife - todos mal passados - só para mostrar para a turma que não jogo mais nada. Sua vingança foi malígna.

RODAPÉ - (*) - Cacetinho - Em Pelotas, pão francês é "cacetinho". Pelotense adora levá-los para casa. Tanto o francês, quanto o cacetinho.
(**) - Tarde de Verão - Lá por Pelotas, quando há mesmo uma tarde de verão, ela cai num sábado.

MORAL DA HISTÓRIA - Não é possível a ninguém vingar-se de uma molecagem sem cometer outra e mais uma e mais outra...