1 de abr de 2010

IRONIA & POESIA - Versos Eróticos

Homenagem
Na mais terna relação de dois amantes / O homem, de joelhos, precisa fazer... / Homenagem à mulher, momentos antes, / De beijá-la à altura do seu prazer.

Manual
Ah, comer quando e a quem bem queria! / A todas, com charme e perdida paixão. /Na juventude, assim que acontecia: / Eu tinha o meu mundo na palma da mão.

Imaginação
Não existem mulheres feias na vida. / A todas nós devemos sempre fazer jus. / Pra que a feia nos pareça bonita, / Basta apenas que se apague a luz!

O primeiro
A maçaneta da porta: que percalço! / Ela, em camisola de seda chinesa; / Ele - descamisado e pé descalço. / Na sala, um cigarro sobre a mesa...

No flagrante delito daquela traição / Nada havia para fazer nem dizer. / Ao marido, o amante estende a mão: / - Sorria! Você é o primeiro a saber!..

Assédio
Ela nem sabia que estava dando / Mas ele assediava, convencia. / Se não desse, saísse andando... / Adeus emprego!O chefe a demitiria.

Coisa de rico
Pobre e metida a besta / Não sabe que marido rico / de segunda-feira a sexta / mija fora do penico.

Ótica
Pense lá o que bem entender e quiser, / Mas acho agressivo e descarado / Esse tal de amor de mulher com mulher... / Ronronava o rapaz pro namorado.

Coragem
Machismo é mostrar sem medo a cara: / O Capenga desviado-se do ovário; / O belo mancebo diante da vara / Saindo lá de dentro... do armário.

Televeremos
Logo, logo veremos na televisão, / Em horário público e notório, / Colocarem Modess na menstruação / E uso explícito de supositório!

Relaxa!
Cuida-te bem, meu bom rapaz / não exagera em bondade / quem te abraça por trás / toma a tua virgindade.

Gol de placa
Comer a mulher do vizinho / e não contar pra mais de cem / é fazer um gol de placa sozinho / num estádio sem ninguém.

Fama
E a fama do vento fresco / da cidade dos janotas? / Os gaúchos não dão refresco: / É a delicada... Campinas, idiotas!

A pior
Levou sempre a pior em negócio / que fosse feito entre os dois / começou perdendo pro sócio / dando primeiro pra comer depois.

Pooker face
Cínica e descarada, quanto bela: / Cara de pau, quando nos mente não cora. / E garante que o sexo para ela / É só uma coisa da boca pra fora.

Tá no sangue
No inverno: malha / no verão, saracoteia; / na praia, agasalha... / a antiga profissão corre na veia.

Sabor a mi
Foi assim que ele se deu por achado: / Ela com sabor de pizza portuguesa, / Insossa – sussurra: “meu velho safado”... / Bem no momento do beijo à francesa.

Lesbos, Gata 44
Ela, gostosa, bonita, uma gata; / Ele, só um delicado sapateiro, / Que o tempo todo, o dia inteiro, / Fazia com ela gato e sapato!

Futebol de Mulher
Mata a bola nos peitos / escorrega na coxa / passes de curva, sem defeitos / ela tem aquilo roxa. / Enfia no meio das pernas e mete na brecha / sua defesa abre e fecha... / embaixo dos paus, a goleira / encaixa as bolas, faceira. / Decididamente, esses lances nos consomem. / Futebol é coisa de homem!

Dose
Eu ontem bebi uma lágrima doce / Que, salgou de tristeza o meu uísque. / Por tudo quanto o nosso passado fosse, / Hoje, por mim, por ti e, por favor: risque!

Templo
Descrente, só é eterna minha vida, / Quando ponho os lábios sob os teus véus. / É assim que, ajoelhado, querida, / Rezo em teu templo, e dou graças aos céus.

Traição
Sexta-feira, fim de semana começa. / De frente, pelas costas, via oral, enfim... / Fantasie; faça tudo bem, sem pressa / E, no instante do gozo... pense em mim!

Vingança
Usando a mulher do seu desafeto / Vingou-se de vez, e com todo o prazer: / Ao despejar seu gozo naquele reto / Gemeu o nome do marido por querer.

Coisa do arco...
Flechou todas aquelas que desejava: / Loira, morena, mulata...Tudo igual. / Seu arco sempre retesava / O seu sexo era manual

Ménage...
A idéia de dois por três / Na hora que o mundo acabou / Prova que o sonho esta vez / Do ménage à trois funcionou! / Enfim, ela atendeu o pedido / De pensar em mais um, durante e depois... / Sem perigo, já dentro do marido / Fez seu ménage a três, só com eles dois.

E o terceiro ficou só... na mão / Solitário, apenas participou / Do ménage, na imaginação. / Mas foi bom. Pois, enfim, funcionou! Para quem pensava em mim / Quando desligou a tevê... / Agora, vai ser assim: / Vou pensar sempre em você!

Para sempre
Lá onde a vista mal pode alcançar, / Juntando os seus imaginários lábios, / Se encontravam, silentes, o céu e o mar / Num largo beijo de silêncios sábios.

No meio daquela infinita distância / Solitária e triste, embarcada / Minha vida, em saudade e ânsia, / Daquele horizonte não ouvia nada.

E sentindo o rigor da fria solidão / Eu vi o sol deitar-se nas ondas do mar / E a noite levantar a escuridão / Que, para sempre, não me deixou voltar.

Já é tarde
Quanto bem, sem medo e sem compromisso / Quanto tempo, quanta vida joguei fora / E, tonto, só fui me dar conta disso / Quando já é tarde e tenho que ir embora

Bastaria fosse
Não fosse por tudo quanto tenha sido / Mar Del Plata... Ah, saudade que assola! / Bastaria, mais que o sonho compartido, / Fosse apenas terra de Piazzolla.