26 de jun. de 2011

CAMPINAS E PELOTAS PERDEM TERRENO NO QUESITO HOMOAFETIVO

Números do Censo refutam lenda popular sobre cidades gays do Brasil.

Na contramão do que indica o anedotário popular, Campinas e Pelotas não estão entre as cidades preferidas pelos casais homoafetivos para viver no país.

No ranking nacional, Campinas aparece na 109ª posição e Pelotas no 252° lugar em todo o território nacional. Isso pode querer dizer pelo menos quatro coisas:

1) o IBGE já não é mais aquele; 2) nem sempre a vida é a arte da escolha; 3) a contramão pode ser apenas uma virada de mão; 4) a classificação das duas ainda é honrosa dentro de um universo de 5.565 cidades brasileiras.

Diante de tais conclusões, o naco mais conservador da sociedade já está em estado de alerta diante do que, daqui pra frente, tanto Campinas quanto Pelotas podem fazer para recuperar o terreno perdido.

Os que estão do outro lado dos conservadores refutam o Censo denunciando a sua tendenciosidade: "Uma coisa é contar o número de casais e perguntar suas preferências residenciais; outra bem diferente é contar os bofes um a um, tintim por tintim. O que precisa perguntar aos pesquisados é se eles são casados, se têm filhos".

RODAPÉ - Dentre as capitais, Florianópolis é a campeã da preferência dos casais homoafetivos; Porto Alegre, sem largar a fama de "última a saber", é a representante gaúcha; depois vêm Rio de Janeiro e Maricá, também no Rio. São Paulo, famosa por sua Parada Gay, conquistou um melífluo 13° lugar.

Reprodução
É comovente o esforço de São Paulo, capital do prefeito Kassab, para entrar no grupo top ten do ranking nacional da homoafetividade.

9 de jun. de 2011

GARANHÃO DE PELOTAS E GARANHÃO DO ALEGRETE NA VARANDA

Foto: Acervo Zé Cruz e Souza
Jornalista Jesus Afonso, pelo menos 10 coberturas de Copas do Mundo nas costas largas, soube que o Garanhão de Pelotas estava em Brasília. Foi levar ao amigo, centenárias façanhas do Garanhão do Alegrete. Na varanda de um dos refúgios assobradados do Espachim Pelotense, tocaram violinos de ciganos e cantaram bossas e boleros para a vizinhança embevecida.

Foto: Acervo Zé Cruz e Souza

Jornalista Zé Cruz, compositor e cantor, ameaça escrever um livro e montar uma peça de teatro contando as des/aventuras do Garanhão de Pelotas  e do Garanhão do Alegrete. Sérgio Siqueira fará o fundo musical. Tudo isso foi combinado na rápida ausência do Garanhão de Pelotas  que - como um Hugo Chávez, saíra para rapidamente tirar água do joelho. Quando voltou, a urdidura já estava consumada.

19 de mai. de 2011

HOMOAFETIVIDADE É ISSO


Pois então, o Garanhão de Pelotas, estava a cofiar candidamente seus pêlos pubianos, sem mais o que fazer e resolveu dar uma passeio pelo passado. Já que a Mala Suplicy e a Afro-Descendente Gil estão nesse mexe-remexe com as mãos nas cadeiras, em defesa de homoafetividade e homoafetação, o nosso lorde falido foi até a estante da saudade e capturou o vídeo em que Lula e Marroni se ajeitam as devidas gravatas para mais uma apresentação ao distinto público. Era véspera de eleição municipal na Princesa do Sul. O papo de bastidores merece ser requentado.

13 de mai. de 2011

PRAIA DO CASSINO & PRAIA E CASSINO

Baixou no Garanhão de Pelotas aquele espírito de implicância que alimenta as relações entre as cidades de Pelotas e Rio Grande.  Sem mais o que fazer, nesses tempos de dolce far niente, resolveu implicar com os rio-grandinos, seus irmãos, amigos e líderes.
Reprodução
Pegou o telefone público ali do Café Aquário - coração citadino pelotense - e resolveu dar um trote no pessoal da Secretaria de Turismo da cidade papa-areia. Foi o próprio secretário quem atendeu solícito. E teve que engolir quieto a gozação sem sequer saber com quem estava falando:

- Não confunda praia do Cassino, em Rio Grande, com praia e cassino em Punta del Este.

O lorde cebeiro disse apenas isso assim, em tom de galhofa e desligou. Ganhou o dia. O cafezinho no balcão ficou bem mais gostoso.

RODAPÉ - Foi só por implicância. O Garanhão de Pelotas  adora a praia do Cassino. Todo ano tira uma boa temporada por lá.

11 de mai. de 2011

A LUA PODE ESPERAR

Reprodução/Div.
Agora, o Garanhão de Pelotas, se deu conta de tudo: foi por essas e outras que o príncipe William e a duquesa Kate não tinham pressa nenhuma para começar a Lua de Mel.

6 de mai. de 2011

HOMOAFETIVIDADES

Mirolhando o que passa pelas cabeças que mandam nessa grande República que é o Brasil, o Garanhão de Pelotas  ficou encucado quando o Supremo Tribunal Federal aprovou por unanimidade o reconhecimento da união homoafetiva.

Amigo de infância do expert em casamentos, Nelson Rodrigues, o Garanhão  logo se lembrou do velho jornalista e dramaturgo. Acha que, onde quer que Nelson esteja, ele se repetirá com enorme prazer: "Toda unanimidade é burra"!

O mesmo se dá com relação ao velho parceiro de noitadas muito loucas, o cantor Tim Maia. O Garanhão  tem certeza absoluta que lá pelas mesmas cercanias do além, Tim Maia nunca mais vai entoar o sucesso "Vale Tudo"... Aquele que avisava: "só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher"...

O nosso lorde de plantão lembra que decisão de juiz não se discute. Cumpre-se! Mas sempre há quem fique com um pé atrás: - União homoafetiva, tudo bem, mas casamento de viado, pooode?!?

RODAPÉ - É como diz o Garanhão de Pelotas, quando se faz filósofo: homoafetividade é uma coisa; viadagem é outra e assim como são os homens, são as criaturas; e como são as coisas, são os objetos. O lado ruim dessa coisa toda, pondera o Garanhão, é a homoafetação.

CALMA, SANTA!

Grande coroínha nos seus tempos de criança, quando escapou arranhando da pederastia rasgada, o Garanhão de Pelotas, já teve notícias de que mal foi criada pelo Supremo, a lei que reconhece a união homoafetiva já começou a ser bagunçada: o bofe do seu vizinho gay pediu a lésbica do terceiro andar em casamento.

O pároco da aldeia, ao saber que tinham a benção do Supremo, rezou um pai-nosso e dez ave-marias. Ele achou que nuncanahistoriadessepaís o céu foi tão bagunçado. O Garanhão  jura por tudo quanto é mais sagrado que o padre só ficou mais calmo quando se deu conta de que o Supremo, no caso, era um tribunal dos homens.

Assim mesmo, mandou avisar que só realiza a cerimônia depois da regulamentação da lei no Congresso Nacional. Observador atento, o Garanhão  garante que, pelo jeito de ser, de vestir, de andar, de olhar e de falar da maioria esmagadora dos políticos que habitam aquela tolerante Casa, isso não vai demorar nada. Nadinha.

MORAL DA HISTÓRIA - Homoafetividade, sim; homoafetação, no Brasil, nunca mais!

4 de mai. de 2011

FIM DE CASAMENTO

O Garanhão de Pelotas  é um grande herói. É nobre, sensível e quando tem que endurecer endurece-se, pero sin perder la ternura. Não é daqueles heróis que ganham todas. Tem seus momentos de brasileiro-baixo clero, como todos nós que, por capricho dos deuses, não nascemos e nem nos fizemos políticos.

Um dos seus momentos de vacilo e fraqueza foi aquele tal de casamento com Mariana Bibiana. Quando se deu conta, já era tarde, Inês era morta. Viva era Mariana Bibiana. E foi por essa vivacidade que o Garanhão  acabou com a relação. Foi uma coisa assim, rápida e rasteira.

Pois, naquela noite, estavam ambos enrodilhados na alcova de seu ainda modesto bangalô, quando o telefone tocou. Ela, expedita, movimentou-se para atender. O Garanhão, mais rápido ainda, avisou-a:

- Se for para mim, diga que não estou.

Mariana Bibiana aquiesceu com um leve meneio de cabeça e, com voz sensual, atendeu:

- Sim, ele tá em casa...

O Garanhão  subiu nas tamancas e, em voz baixa e firme reclamou:

- Pô, eu não lhe disse que...
- Era pra mim, benzinho.

O casamento - maior mancada dos jovens tempos do Garanhão  - durou menos do que aquela ligação telefônica. No dia seguinte, nosso herói estava solteirinho pro resto da vida.

MORAL DA HISTÓRIA - O casamento é uma mulher demais e um homem de menos.

1 de mai. de 2011

POR 50 PILAS!

Isso aconteceu lá pelos confins do segundo milênio, no século repassado. Então, por absoluto decurso de prazo e, em razão da validade vencida, o Garanhão de Pelotas  vai cometer a ousadia de revelar um de seus segredos mais bem guardados. Ele um dia se casou, tchê!

Até hoje, nem ele mesmo sabe se foi por amor ou por interesse. Casou. Casou e pronto. Foi com uma conterrânea, uma pelotense de escol, da nata - e que, de bonita não tinha nada. Mas deixa os detalhes pra lá.

Em Pelotas, para quem casava naqueles anos dourados, o it da moda era passar a Lua de Mel no Rio de Janeiro, capital da República e coisa e loisa.

Naquelas priscas eras, o simples fato de ir ao campo de aviação embarcar no aeroplano, era uma inusitada e chique aventura. Inda mais quando o aparelho era um Constelation da Varig, fretado pela Sadia.

Pois o galante Garanhão  cometera de uma sentada só (epa!) duas grandes arteirices: casou sem eira nem beira e viajou de Constelation.

Mariana Bibiana, sua dileta consorte, não era lá o que se poderia chamar de um peixão, mas o dote do velho sogro bem que financiava com sobras o vôo para a "capital e coisa e loisa".

Viagem vencida e roteiro mal enjambrado, pousaram em um hotel tão pouco estrelado quanto bem recomendado, ali no burburinho da Avenida Atlântica.

Casamento consumado de fato na alcova da estalagem, o ainda frangote Garanhão de Pelotas, deixou a noiva extenuada a dormitar o lindo sono do depois e saiu para um bordejo inocente ao cair da tarde, pela orla de Copacabana.

Menos de meia hora depois, ele chegava de volta ao hotel, quando uma piranha atrevida, rodando a bolsinha, se aproximou e lhe disse:

- Pra você, são só 50 pratas, meu bem.
- O quê, 50 pilas, tu tá tantan!

E se mandou para o apartamento nupcial. Não demorou muito, o Garanhão  saía de braço dado com sua feiosa, mas toda produzida, Mariana Bibiana para lhe mostrar o Rio e jantar no Barril.

Ainda nas cercanias da porta de entrada do hotel, ao passar pela decaída que o topara, além de vislumbrar um ar de deboche no semblante da sirigaita, ainda teve que fingir que não ouviu:

- Bem feito, seu pão-duro. Tá vendo só o que você arranjou por menos de 50 pilas?!?

MORAL DA HISTÓRIA - Não deve julgar-se injuriado pelo engano, aquele que conhece o seu engano.

28 de abr. de 2011

PURA FICÇÃO

ENFIM, SÓS!
Depoimento do Garanhão de Pelotas, travestido de plebeu.

Nunca me senti tão importante; tão prestigiado; tão parecido com as elites, com as maiores autoridades do país. Até que enfim posso sentir o que é igualdade social.

Assim como Dilma Roussef, Antonio Patriota, Michel Temer, Palocci, Mantega, Fernandinho Beira-Collor, ministros do governo, do Supremo e de todas as cortes; FHC, Fernando Gabeira, Serra, Aécio e dissidentes ilustres em geral; bispo Macedo, donos, diretores e artistas da rede Globo e outras TVs a cabo, eu também não fui convidado para as cerimônias do casamento do príncipe William com a plebéia Kate Middleton.

O que me chateia um pouco é que o Seu Encarnado, alter ego de Lula - o que não desencarna da presidência, também não recebeu convite. Essa informação meio que desequilibra o fiel da balança.


No entanto, há controvérsias. Arautos do Instituto Cidadania informam que o Cara recebeu sim o convite, mas por solidariedade às elites menosprezadas, não aceitou. E, nessa gloriosa véspera do megabrega casório real britânico, recluso com dona Marisa Letícia na suíte ex-presidencial de seu apartamento em São Bernardo, sorveu a delícia de seu proposital momento de isolamento:

- Enfim, sós!

RODAPÉ - Vizinhos do casal neometalúrgico garantem que ouviram ruídos estranhos. Algo, cuja onomatopéia repetitiva seria mais ou menos assim: tintim, tintim... Tintim, tintim... Tintim, tintim...
- Até que, lá pelas tantas, parou - jura um sonâmbulo fofoqueiro do prédio de luxo da cidade-base.

27 de abr. de 2011

Incidente de Percurso no Ensaio Real

O Garanhão de Pelotas  e suas três secretárias-executáveis estavam ontem em Londres. Foram lá só para assistir ao ensaio derradeiro para o casamento do príncipe William com a pebléia Kate. Já decidiram que não ficarão para a festa megabrega:

- Há fortes indícios de que será decepcionante. Vamos agora mesmo para o Caribe - disse a porta-voz morena do nobre pelotense.

A essas alturas, a loira e a ruiva já estavam fazendo malas e bagagens. O Garanhão  fechava a conta no Hotel Goring, situado a 15 minutos da Abadia de Westminster. Por sinal, a mesma luxuosa estalagem londrina onde estão hospedados os plebeus da família de Kate Middleton.

Os sinais que afugentaram o Garanhão e seu trio maravilhoso da capital da Inglaterra:

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Primeiro foi o desfile da cavalaria. Ninguém errou nada, absolutamente nada. Nenhum cavalo, nem qualquer cavaleiro fez cocô no passeio público. Quer dizer, treinaram para fazer absolutamente nada de inusitado, ou alegremente desagradável. Vai ser aquela sobriedade só.

Reprodução
Depois veio o ensaio com um par de clones do casal real posudamente sentados na carruagem oficial. Um desastre. Eram dois canastrões. E o Garanhão de Pelotas  não perdoa. Cai matando a pau. Vejam o que ele jura que viu e ouviu, do lugar privilegiado de onde observava todos os movimentos.

Foi assim: a dupla ia na carruagem, toda faceira, interpretando o casal real que casa na sexta. Eis que, senão quando, um dos garbosos cavalos puxadores da charrete monárquica, levanta a bem tratada cola e expele silenciosamente uma reação exotérmica cuja composição de gás era altamente variável e humanamente insuportável às narinas de qualquer vivente, de rainha a vagabundo.

O clone do príncipe William, impávido e colosso, olha então para a moçoila que desempenhava o papel de Kate Middleton. Percebe que suas faces estão coradas. O galante artista, sem perder as estribeiras, dirige-lhe a palavra principesca:

- Desculpe, minha princesa...
- Não foi nada, não. Acontece. Pensei que tinha sido o cavalo.

A cena tem pelo menos cem anos de vida. Mas, do jeito que as coisas andam, até granada cai duas vezes no mesmo lugar. O casamento do século tem tudo para ser uma chatice. O Garanhão  não vai esperar para ver. Já está chegando num desses paraísos caribenhos. Lá é que é a sua praia.

Débora, a promotora bipolar

Imagens e diálogos comprovam a farsa da promotora
com ajuda de médico.

Vídeos em poder do Ministério Público que chegaram, via mídia geral, às mãos do Garanhão de Pelotas, mostram como um psiquiatra orienta Deborah Guerner, presa desde a semana passada, a simular doença mental a fim de atrapalhar as investigações que a enrolam até o pescoço no esquema de corrupção do Distrito Federal.

Então tá. Não solta essa artista, mas prende o médico também.
Reprodução
A promotora Deborah Guerner, ao lado do marido, recebe 'treinamento' do psiquiatra Luis Altenfelder Silva Filho para fingir-se bipolar. Araponga, quando quer, grava tudo. Mais até que Durval Barbosa, o delator mais premiado do Brasil. O Garanhão  resume a ópera bufa com seu sotaque gaúcho:- Deborah Guerner não se bipolarizou, mas agora está tripopularizada.

Reprodução
O Garanhão de Pelotas  vai aos seus arquivos implacáveis e emplaca aqui e agora, a promotriz Deborah ainda de cara-limpa. Tá na cara que treinar para parecer bipolar foi um exagero.

26 de abr. de 2011

Garanhices de meio de semana...

ESTÁDIO OLÍMPICO
Gremio 1 x 2 Universidade Católica, do Chile. Foi a primeira grande vitória de Paulo Roberto Falcão na Libertadores da América, como treinador do Inter.

MENOS
O Grêmio jogou o tempo todo com um jogador a menos. Quando Carlos Alberto entrou, no segundo tempo, o tricolor gaúcho ficou com apenas nove em campo.

HAI-KAI
Breguice real / Casamento inglês / É medieval

DE OLHO
Dilma: "O governo está de olho na inflação". E nós de olho no cartão corporativo do governo.

Reprodução/Veja
Cuidado! Cão manso; dono raivoso. A grade faz bem para os dois.

O CENSOR
Roberto Requião tomou na mão grande o gravador do repórter da Band. Achou que quem quer saber o que ele faz com uma "aposentadoria" de R$ 24 mil mensais porque governou - e mal - o estado do Paraná, é "engraçadinho, atrevido e provocante". Prepotente, truculento, metido a mais homem, travestiu-se de censor e alterou o trabalho do dia do setorista e, sob pressão, acabou mandando o filho devolver o objeto roubado.

OS INOCENTES
Agora, a Abert, o Sindicato dos Jornalistas e outros organismos tão crédulos quanto ingenuos, muito mais que inocentes, querem que o censor Requião seja avaliado pelo Conselho de Étiririca do Senado, como se dele não fizesse parte, até o notável criador de gado fantasma, Renan Calheiros.

A PERGUNTA
Afinal, o egrégio senador Roberto Requião aceita abrir mão da aposentadoria de R$ 24,1 mil reais que recebe mensalmente dos cofres públicos como ex-governador?!?

SOLUÇÃO
O rodapé de todas as notícias sobre as chuvas que alagaram o Rio de Janeiro informa com solene ar de Defesa Civil que "em 4 horas choveu o equivalente a 40 dias no Rio". Pronto, acabou o problema. Já no Rio Grande do Sul, o temporal que matou gente e desabrigou milhares, foi 40 vezes menor do que qualquer temporal do inverno passado. E ainda é outono.

CASAMENTO REAL
Essa festa rica é apenas o lado brega da sociedade medieval que vive na Inglaterra de hoje.

TV CONTRACULTURA
A TV Cultura, do estado de São Paulo demitiu o maestro Julio Medaglia. Foram 24 anos de casa que saíram pela porta da rua. A direção da TV agora deve contratar um DJ qualquer para dar uma sacudida na programação, cuja sintonia balança em forma de traço.
SARGENTO GARCIA, O CABO

O grande conselheiro de Lula, Marco Aurélio Sargento Garcia, está ficando cada vez mais "cabo" na hierarquia do gabinete da primeira-presidenta Dilma.

Acaba de perder o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O Conselhão sai da Secretaria das Relações Institucionais e vai para Moreira Franco, do PMDB.

Marco Aurélio Top-Top Garcia está voando baixo. Michel Temer, aos poucos, vai se consolidando como o vice mais vice-presidente da história do Brasil.

LOGOMARCA DO PSD
Kassab não quis para o seu PSD o número 51. Diz que foi para evitar boas idéias a respeito de um eterno candidato a presidente da República. Escolheu um número redondo: 30. Olhaí ao lado o logotipo de Kassab.

ARAPUCA
A primeira-presidenta Dilma diz que está "imensamente preocupada com a inflação". Até parece que ela não usa cartão corporativo e que nem sabia dessa "herança bendita" de Seu Encarnado, o que não desencarna nunca do poder. O dragão da inflação é só uma das arapucas para Lulalá em 2014.

SURRA PERMANENTE
Câmara vai discutir bullying na quarta-feira. O brasileiro apanha dos políticos o tempo todo e ninguém discute isso.

MESMA LAIA
A polícia do Senado não aceitou denúncia do roubo do gravador do repórter da Bandeirantes contra o senador Roberto Requião. Mandou o jornalista se queixar pro bispo. Ele só encontrou por lá a Madre Superiora. Sarney fez ouvidos de mercador.

REQUIÃO, O VALENTÃO
Não é raro Roberto Requião, conhecido barraqueiro - que seguidamente leva uns tapas na cara - desnudar seu caráter truculento e perigoso.

neste início de semana, ele não gostou da pergunta de um repórter e surrupiou-lhe o gravador.

Como a escamoteação foi pública e notória, acabou devolvendo o objeto roubado. Dessa vez, ele devolveu o que pegou na mão grande.

De qualquer maneira, repare bem nessa obra de arte aí na marginal direita do texto: o valentão tem só dois braços e duas pernas. Ah sim, um cuecão cheio de bolsos e não usa sutiã.

MODÉSTIA À PARTE...
Dia 21 de abril, em Ouro Preto-MG, depois de acender a Pira da Liberdade, a primeira-presidenta se comparou aos heróis companheiros de Tiradentes na Conjuração Mineira.

Nada demais. Perto de Lula que se compara a Jesus Cristo, a antiga guerrilheira Dilma foi até modesta na sua solene inconfidência. Um dia ela chega lá.

25 de abr. de 2011

OS COELHINHOS QUE COMEM OS BRASILEIROS

Brasília ainda não acordou da letargia do feriadão da Páscoa. Hoje é só segunda-feira. Deputados, senadores ministros de todos os poderes constituídos deram um chocolate nos brasileiros e foram exercitar nas cercanias de seus currais políticos os defeitos que trazem da base eleitoral para a capital federal como se fossem virtudes.
Mike Ronchi
Brasília sem essa pandilha de sevandijas é muito mais bonita, muito mais limpa, muito menos perigosa. O trânsito é bem melhor, flui com naturalidade; nos shoppings, nos supermercados, nos clubes, nas ruas, você sabe com quem está falando.

Pena que na terça-feira, toda terça-feira, isso já começa a mudar. Maravilha que eles só ficam até quinta de manhã, quando voltam de malas e bagagens para suas cidades de origem, onde aprenderam a ser o que são.

A vida em Brasília é assim. Paz e harmonia, nos fins de semana. Ainda bem que são prolongados. Duram de sextas a terças-feiras. Melhor ainda é que o período de fertilidade política é uma permanente homenagem ao coelhinho pascal.

O ano inteiro deputados, senadores, ministros, notáveis servidores de carteirinha, aloprados são rápidos e rasteiros como os coelhinhos para passar a cenoura nos brasileiros.

Em dois dias e meio de expediente semanal, eles sobem em cima do povo e ainda têm tempo para querer saber: - Vai ser bom... Não foi?!?
ALMA LAVADA
O Garanhão de Pelotas  - travestido de mestre em Etiqueta Oficial, acha que pegou mal o príncipe Wiiliam e a plebéia Kate mandarem convite, por exemplo, para David Beckham e para Lady Gaga e não convidarem o Lula e nem a Dilma.

Mas, não tem nada, não. A maior vingança é que o casal de pombinhos vai ter que aturar a cena mais ridícula das histórias de uma cerimônia real: o pai do príncipe, o quase Rei Charles de braço dado com a madrasta, Camila, duquesa da Cornuália.

SÉRIE O SALVADOR DO BRASIL

Pois então, é como diz o Garanhão de Pelotas: "todo mundo já sabe, Lula salvou o Brasil. Agora, não vai haver Dilma que aguente".

No fim de semana, Seu Encarnado - sem desencarnar do poder achou, uma vez mais, de cutucar FHC. O Alter Ego de Lula usa o PSDB como aríete, mas cutuca mesmo é o tal de Fernando Henrique Cardoso que o derrotou duas vezes.

Aí, disse que o "PSDB não tem ideologia". E está pra lá de certo. Só erra por não acrescentar "o PSDB, como o PT e tudo quanto é partido 'nessepaís', não tem ideologia".

Quem anda aos abraços e queijos com Sarney, Renan, Zé Dirceu, Delúbio, Fernandinho Beira-Collor, Ali Babá e os 40 mensaleiros, não tem ideologia. Nem a "estratégia de colizão pelo poder" justifica. Só se for a idelogia do dólar na cueca.

23 de abr. de 2011

O TRATO DO GARANHÃO

Um dia, naquelas priscas eras, só para não desconstuir a múltipla personalidade do Garanhão de Pelotas, ele tinha um bilau desse tamaínho. Era, digamos, pouco dotado. Nem por isso, todavia(*), o Garanhão  deixava de ser um tremendo garanhão.

No meio do garden party, pertinho do jardim que circundava a pérgula da piscina de sua mansão, escolheu a dedo uma loira de parar o trânsito (benção Stanislau Ponte Preta) e, sem mais delongas (obrigado, Ruy Barbosa) foi com tudo pra cima dela, sem medo de ser feliz (meus encômios ao PT).

Ganhou a jovem já nas preliminares com toda a beleza, o charme e o veneno do homem brasileiro e foi logo cantando:

- Mimosa, vamos para a minha suíte...
- O que você pensa que eu sou?
- A mulher mais bonita dessa festa. Vamos, eu sou jeitoso...
- Você promete não me machucar?
- Eu ponho só a pontinha...
- Jura?
- Por Baco, Apolo, todos os deuses gregos e uma porção de batata frita.
- Vamos fazer um trato?
- Vamos.
- Você só coloca a pontinha.
- Trato feito, mimosa.

E lá se foram para a suíte principal do palacete assobradado do Garanhão. Roupas sobre o tapete persa, corpos na alcova alcandorada, o Garanhão foi logo enfiando tudo que tinha direito. Ela a-do-rou! Cheia de desejo, resolveu condescender:

- Ai, amor... Bota tudo logo de uma vez... Tudo, tudo!
- Nem pensar, mimosa. Trato é trato!

MORAL DA HISTÓRIA - Não há nas noites de alcova prazer nenhum que se compare ao gozo de conspurcar a verdade.

(*) TODAVIA- Como diria Paulo Francis, "todavia é a puta que pariu!".

16 de abr. de 2011

O LOBISTA E O ENGENHEIRO

Não foi o Brasil que inventou a corrupção. O Brasil apenas aperfeiçoou a prática. O Garanhão de Pelotas  estava num garden party de 2 mil talheres promovido por um conhecido lobista de Brasília. No meio da festa, na pérgula da enorme piscina, escutou na mesa ao lado, um dos convidados já quatro ou cinco uísques acima do nível do lago Paranoá, perguntar para o dono da enorme e fantástica mansão.

- Que ninguém nos ouça, mas como é que você conseguiu tudo isso? Até heliporto você tem aqui...
- Cá pra nós - sussurrou o lobista milionário - você conhece o aeroporto?
- Sim, claro. Está em obras...
- Pois é, o orçamento é de R$ 600 milhões.
- Razoável...
- Mas, a obra vai custar mesmo R$ 420 milhões...

O silêncio que se seguiu era apenas a comprovação de que já tinham começado a falar a mesma língua. O dono da mansão, quis também saber um pouco da vida do conviva, um engenheiro trilhardário, de sucesso já beirando a trajetória Oscar Niemeyer, o rei dos projetos sem licitação:

- E você, como é que conseguiu um patrimônio que tem pelo menos 3 casas iguais a esta e cinco condomínios residenciais no coração de Brasília?
- É simples. Venha comigo até o mezanino...

Foram. De lá, à beira de seus uísques, vislumbraram a Capital Federal por inteiro. Uma vista deslumbrante...

- Você está vendo aquela estrada ali, que liga o Palácio do Planalto ao Lago Paranoá?
- Não.
- Pois foi construída por mim.

RODAPÉ - A história foi repassada como piada ao Garanhão de Pelotas, pelo amigo, conterrâneo e seu médico bissexto Uílsom Moreira, radicado em Brasília há mais de 30 anos. A narração foi feita na mesa 5 do mezanino da Churrascaria Porcão, no Píer 21, setor Sul do Lago Paranoá, durante o tradicional happy hour das noites de quinta-feira.

10 de abr. de 2011

Araçatuba sai do armário. Agora ficou com o Título...

O Garanhão de Pelotas  não poderia perder essa, jaaamais! Estava lá. E bispou tudinho: no sábado, a equipe do Vôlei Futuro, da indignada cidade de Araçatuba, deu o troco para a torcida homofóbica do Cruzeiro que, em Contagem, nas Minas Gerais, esganiçou-se toda aos gritos de "Bicha! Bicha! Bicha!" para Michael, pivô do time e de todaa algaravia. Final apoteótico do espetáculo: Vôlei Futuro 3 sets a 2 em cima do mineiros que não trocaram de fardamento. Foi a glóóóória.
Alexandre Arruda/Divulgação
A cidade inteira de Araçatuba - que coube no ginásio - saiu do armário. Cobriu-se com uma´linda e enoooorme bandeira nas cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBT. Uma graça.

Alexandre Arruda/Divulgação
Quem não coube embaixo do drapejante pendão, bateu e sacudiu bexigas cor-de-rosa. Cho-can-te.

Alexandre Arruda/Divulgação

A vitória de 3 sets a 2 foi a consequência inevitável da maior dignidade. Foi assim ó, dignidade já! O elenco do Vôlei Futuro estava uma fera. Parecia a Pantera Cor-de-Rosa.

Alexandre Arruda/Divulgação
Mário Júnior, líbero do Vôlei Futuro, liberou geral: ele jogou com as cores do arco-íris. A camisa feita sob medida para a ocasião, lhe caiu muito bem. Estava um bofe.

Alexandre Arruda/Divulgação
Michael, o pivô, teve mais uma notável atuação. O apoio dos colegas de time e colegas da arquibancada lhe fez muito bem. Araçatuba mostrou-lhe o Pink Power. Só faltou na hora do Hino Nacional chamarem a Edith Piaf para cantar La Vie en Rose.

O Garanhão, no entanto, concluiu que de prático mesmo, o que Araçatuba pode esperar é que numa próxima eleição municipal Lula, o cabo-eleitoral dos pobres e das elites, diga o que pensa da cidade para o candidato a prefeito do PT, com a mesma rude sutileza que manifestou sua opinião sobre Pelotas ao hoje deputado Fernando Marroni quando ele concorria à prefeitura da Princesa do Sul. Não será nada demais, Araçatuba já tomou a dianteira. O título agora é dela. Campinas, penhorada, também agradece.

MORAL DA HISTÓRIA - Ninguém ganha fama, a não ser por sua própria culpa.  Mas é a melhor maneira de desfrutar as vantagens da reputação perdida.


8 de abr. de 2011

A VIDA NÃO É UM ROMANCE

O Sanatório da Notícia  resolveu entrevistar o Garanhão de Pelotas, sobre ele mesmo. Epa, não é esse amontoado aí que você está pensando. O que a gente quis dizer é que o Sanatório  resolveu entrevistar o  Garanhão  fazendo-o falar a respeito dele mesmo. Só isso, seu libidinoso.

SANATÓRIO - Você faria tudo outra vez?
GARANHÃO - Nem morta, filha!
SANATÓRIO - Nadica de nada?
GARANHÃO - Não. Muitas coisas eu as faria novamente e de bom grado. Outras, não. Jamais.
SANATÓRIO - Quê coisas então você faria?
GARANHÃO - Tudo que não fiz e os meus melhores amigos fizeram.
SANATÓRIO - Por exemplo...
GARANHÃO - Estudar muito mais matemática no primário e no ginásio, ao invés de portugues.
SANATÓRIO - Por que isso?
GARANHÃO - Se saber portugues fosse fundamental, as pessoas não nasceriam na China, na Mongólia, na Cracóvia...
SANATÓRIO - Quando você descobriu isso?
GARANHÃO - Primeiro, foi quando morei em Atenas. Eles falavam grego e eu entendia tudo. Eu não falava coisa com coisa e eles me entendiam perfeitamente.
SANATÓRIO - Como assim?
GARANHÃO - Bolas, o ingles e o espanhol que eles falavam eram bem piores que o meu.
SANATÓRIO - Tá e depois?
GARANHÃO - Depois foi quando, sem saber nada de ciências exatas, não fui capaz sequer de calcular que um cara como Lula pudesse ser, mais do que presidente do Brasil, um palestrante internacional.
SANATÓRIO - E quê mais?
GARANHÃO - Quê mais?!? Foi esse palestrante que, sem saber e sem ler, assinou a reforma ortográfica luso-brasileira. Terminou mal e porcamente os dois mandatos dele e nunca falou em fazer a reforma matemática. Agora mesmo é que não sai mais.
SANATÓRIO - E daí?...
GARANHÃO - Mais nada. Descobri o ouvido da minhoca. Não faria tudo outra vez. Estudaria matemática para não quebrar a cabeça. E nem a cara.

MORAL DA ENTREVISTA - A vida não é um romance. É só uma questão de cálculo. É preciso saber fazer as contas.

1 de abr. de 2011

Primeira Galinha Homo

O Garanhão de Pelotas  pensou que já tinha visto de tudo na vida. Em rápida temporada de férias foi conhecer o interior da Grã-Bretanha. Anda daqui, anda dali, foi parar em Huntingdon, no condado de Cambridgeshire.E foi lá que viu mais uma que resolveu jogar na rede... Olhe só o que ele conta:

Uma galinha, muito bem cuidada, ali naqueles confins do mundo, parou de botar ovos, encorpou, perdeu penas, tem crista e hoje canta de galo. Agora o casal septuagenário de fazendeiros Jeanette e Jim Hower é que está chocado. Criam a primeira galinha homo da terra.

Garante o Garanhão  que desde que o galo, velho dono do galinheiro, foi se meter com a a antiga companheira, se deu mal. Acorda as redondezas com canto de veado. Balança todo no andar e, melífluo, abre as penas como se fosse um pavão.

31 de mar. de 2011

Descoberta

Impotência dá alerta para infarto.
Disfunção erétil pode ser primeiro sinal de que coração está doente.
Só agora o Garanhão de Pelotas desconfia que não é pelotense; é mineiro. Nasceu na terra do Pelé: Três Corações.

14 de mar. de 2011

LIVROS A QUALQUER ESTANTE

Série Livros – I
Saber envelhecer, Cícero e as articulações
Por Carlos Eduardo Behrensdorf - Brasília

Um dito popular lembra o seguinte: quem é vivo sempre aparece. E mostrando que o povo sabe o que diz, aqui estou eu mais uma vez, formalmente buscando guarida neste insubstituível e perene Sanatório da Notícia.

Dando um toque poético ao retorno lembro o que cantava o pensador noturno Nelson Gonçalves, menestrel com raízes fronteiriças do Sul do Brasil; “Boemia, aqui me tens de regresso, e suplicante te peço a minha nova inscrição”.

Antes de me acomodar no meu antigo quarto quero dizer que tudo vai bem. Inicialmente, dedicarei parte de meu repouso falando em alguns livros que li ou lerei, e fatos que ocorreram ou ocorrerem neste conturbado século 21, aquém e além fronteiras.

Não sei se “aquém” está bem colocado e muito menos se diz o que quero dizer e, muito menos se a frase é correta, mas rima e gostei do som.

O primeiro livro escolhido não é exatamente um novo best-seller. O titulo tem tudo a ver: “Saber envelhecer”, de Cícero, tradução de Paulo Neves, editado no Brasil pela L&PM Pocket, impresso no inverno de 2009.

Antes que me perguntem, informo:

“Marco Túlio Cícero nasceu em Arpino, próximo de Roma, em 106 a.C. e morreu assassinado pelo centurião Herênio a mando de seu inimigo político Marco Antonio. Político influente, jurista, orador, filósofo, sua obra – vasta e diversificada – é uma das mais importantes da literatura latina e influentes na cultura universal. Escreveu 10 tratados filosóficos, entre os quais Re Publica, De Natura e De Legibus. Quase 1.000 cartas, dezenas de orações, tratados de retórica e as célebres Catilinárias.

Neste límpido texto sobre a velhice, Cícero desenvolve a tese segundo a qual "... a arte de envelhecer é encontrar prazer que todas as idades proporcionam, pois todas têm suas virtudes.” Com esta mini-biografia fica provada uma coisa: contracapa também é cultura.

Cícero tenta convencer ou animar seus leitores que já passaram dos 30, ao escrever: “Em verdade, se a velhice não está incumbida das mesmas tarefas da juventude, seguramente ela faz mais e melhor”.

Há controvérsia.

Um amigo meu, devidamente aposentado me disse o seguinte: “O meu problema maior é com as articulações: o que tem que articular enrijece e o que tem que enrijecer flexiona.”

O que será que ele quis dizer com isso? Assim que eu souber a resposta, informo.

RODAPÉ - Eis que Heron abre suas asas e, renascido das cinzas de sua reciclagem européia, volta aos corredores nacionais deste Sanatório. Behrê é um jornalista especialista na arte da vida e seus textos são carregados da cultura que encanta nobres e plebeus. Não dá pra não ler. A equipe de plantonistas do noscômio já emitiu o boletim médico de Carlos Eduardo Behrensdorf: "Não tem remédio. Sofre de um desvio raríssimo no mundo atual, a STI - Síndrome de Talento Incurável". E concluiu: "Baixa autorizada, desde que seja, para internar-se no quarto ao lado da suíte do Garanhão de Pelotas".

NOTA DA REDAÇÃO -  O Garanhão de Pelotas, velho amigo de Behrensdorf, ficou enciumado pela baixa inicial do companheiro bom e batuta ao Sanatório da Notícia  - peça integrante da network aqui da pandilla de sevandijas bem intencionados - e trouxe-o meio de maca, muletas e bengala para as prateleiras do blog que vê a vida cor de rosa. Behrê está em casa.
Burocracia prejudica time da rua
do Garanhão de Pelotas 


Receita Federal tem R$ 2 bilhões em produtos ilegais apreeendidos. A burocracia lota os depósitos do Leão e atrasa tudo com relação ao destino que deve ser dado às mercadorias conviscadas. Em São Bernardo do Campo há casos genéricos. Em um deles, o pessoal não sabe o que fazer com 11 caminhões atulhados de bugigangas.

Reportagem de Renata Veríssimo revela na edição desta segunda-feira, (14) do jornal O Estado de S. Paulo, que "doações de mercadorias pela Receita incluem itens inusitados como R$ 250 mil em bebidas alcoólicas para a Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), no Paraná, e um veleiro alemão para a Universidade Federal Rural de Pernambuco". Epa! Quem decide isso aí?!?

E olha só a justificativa que repórter encontrou pela frente: 1) Segundo a Receita Federal, as bebidas que seriam destruídas são usadas em pesquisa científica de produção de biocombustível e seus subprodutos são reciclados e utilizados para produção de material de limpeza; 2) O veleiro é usado nas aulas práticas de navegação e oceanografia.

Como conclui o Garanhão de Pelotas, no primeiro caso, a dose acaba numa boa idéia! Já com relação ao veleiro, seria bom descobrir se a universidade é rural ou marítima.

O Garanhão não se conforma: - Bolas, a turma do Caiçara, time lá da minha rua "numa pátria pequena que eu tenho no Sul" acaba de fazer um cruzeiro marítimo que foi do Sul ao Nordeste e todo mundo pagou com dinheiro do próprio bolso. Até o Mansur Macluf. Pode?

O Garanhão garante que eles querem isonomia. Adiantam até que aceitam veleiros, ainda que usados e mesmo que a previsão de uso seja só lá para o meio do ano que vem, ou no dia de São Nunca.

Reprodução/Site Charqueada S. João

De outra parte, o grande goleador do time da Charqueada São João, cujo gramado e churras-queira nasceram às bucólicas margens do Arroio Pelotas, adianta que o elenco já se movimenta no sentido de informar a quem de direito que está pronto para incrementar os passeios de barco pela Rota do Charque ou aventuras turísticas similares. Aceita veleiros para juntar a sua esquadra de andanças históricas. Podem ser alemães mesmo. Os turistas e o veleiro.

RODAPÉ - Navegue no site da Charqueada São João: http://www.charqueadasaojoao.com.br/ - Agende seus passeios: (53) 3228 2425 / Fax: (53) 3278 8785 / (53) 8406 4496 (53)

13 de mar. de 2011



O endereço do professor Planela

Há dois mil anos, o Garanhão de Pelotas foi colega de turma na Universidade Católica de José Cruz, hoje um dos mais lidos jornalistas investigativos do esporte nacional. Seu blog www.blogdocruz.blog.uol.com.br/ tem a credibilidade de quem sabe o que diz e o que deseja para os destinos esportivos do país. Conta com dezenas de milhares de acessos diários. Pois eles - Cruz e o Garanhão - foram alunos contemporâneos do professor Planela, um reconhecido cientista de tempo e alma integrais.

Um dia, quase noite, depois de uma exaustiva reunião do Conselho Universitário, o Garanhão resolveu fazer uma gentileza ao respeitável mestre e, cumprimentando com o chapéu de Zé Cruz, perguntou a Planela se ele queria uma carona:

- Professor, o senhor gostaria que o Cruz o levasse até em casa?...
- Sim, sim, tudo bem...

Cruz não teve como negar, até porque levaria de bom grado o sempre atencioso e bondoso professor até sua residência, no centro da cidade. Dirigiram-se ao carro. assim que se acomodaram, Cruz perguntou ao honorável carona:

PHOTONEWSA sua casa ainda é ali na Deodoro, perto da Voluntários?
- Sim, sim, tudo bem...
- O senhor ainda mora ali?
- Sim, sim, tudo bem...

Zé Cruz então, conduziu o mestre, sem mais conversas e delongas, eis que Planela não era de muito papo. Sempre fora um tipo atencioso, mas reconhecidamente caladão. Alguns minutos depois, Zé Cruz estaciona em frente à casa de Planela:

- Pronto, mestre. O senhor mora aqui, não é?
- Sim, sim, perfeitamente.
- Então boa noite professor, o senhor está em casa...
- Sim, sim... Mas esqueci de lhe dizer que estou veraneando lá na praia do Laranjal.

Cruz deu meia volta e, com a paciência que lhe é peculiar, levou Planela até à casa de praia a bons quilômetros dali. Quando voltou para o barzinho de sempre, ali ao lado da Universidade, quase meia-noite, encontrou o Garanhão de Pelotas dando risada ao lado de duas lindas e alegres colegas de aula, já no terceiro chopinho bem-tirado.

12 de mar. de 2011

O cão veloz

Para não perder o trem da história, essa ponta do Sul "que vive a olhar de frente pro Norte" não poderia deixar de ter o seu acidente rodoviário de carnaval. Na noite de terça-feira gorda já quase quarta de cinzas, uma destrambelhada capotagem na BR-471 quase levou à breca uns amigos do Garanhão de Pelotas, ali naquele trecho que liga Santa Vitória do Palmar à metrópole da Zona Sul.

Mas, a verdade é que eles, procedentes do Uruguai, foram expeditos e audazes e conseguiram desviar de um cachorro que atravessou a faixa em alta velocidade. Os feridos foram atendidos nos hospitais da Princesa do Sul. O caso de maior gravidade é o de Gabriel, filho do deputado federal Henrique Fontana do PT. Gabriel, a namorada e um casal de amigos já estão em Porto Alegre.

A polícia trata o caso com muita parcimônia; não revelou o nome do cachorro até agora, "para não atrapalhar as investigações". Suspeita-se que seja um cão policial.

A sabedoria de Regina Brett

O Garanhão de Pelotas  não morre pagão. Tem amigos. Malô Simões Lopes ao receber esta mensagem, não resisitiu e encaminhou-a para o nobilíssimo conterrâneo. Ele a repassou para mim - que também não morrerei pagão. Vale a pena. É para se ganhar o dia e viver a vida.

45 Lições
Por Regina Brett, 90 anos de idade, colunista do The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.


"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi." Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.
 
MORAL DA HISTÓRIA - Enquanto vivos, permitam-nos que a vida não seja em vão.

9 de mar. de 2011

O Garanhão canta de galo

Era uma vez, em um certo país da América Latina... Dia 2 de janeiro, outra vez. O Garanhão de Pelotas, baixote robusto abre os dois lados da ampla janela que dá para a confortável varanda "pois só assim se pode ver o horizonte por inteiro". O sol radiante lhe dá nos olhos... "Caraca, hoje ele nem esperou por mim" - pensou expedito, deixando cair a ficha filosofal em seguida: "quando o cara é ex-qualquer coisa, já não apita mais nada"!


O Garanhão respirou fundo, espreguiçou-se, emitiu ruídos espúrios e sorrindo amarelo, sentiu-se bem mais pesado do que sua coluna vertebral ainda podia suportar: "Cacete! Lá se foram oito anos"!

Para ele, parecia que tinha sido ontem a cerimônia de passagem da faixa de campeão da popularidade para o poste que foi posto em seu lugar.

Tá bom, isso é bobagem. Tinha coisas mais importantes para tratar. Por exemplo, o que faria daqui pra frente? Tinha de tudo, não precisava de mais nada. Ou será que um time completo de caminhões de mudança para transportar bens móveis e bem-havidos é pouco?

Por exemplo, tinha que pensar no que fazer a partir de agora que estava desempregado, sobrevivendo com apenas três ou quatro aposentadorias - talvez menos, ele nem se lembrava mais, embora soubesse que tinha uma precoce por acidente de, digamos, percurso - porque de trabalho, é pouco provável que o tenha sido. Sabia também de uma tal de bolsa anistia, por cadeia política que pegou por longos e tenebrosos alguns dias nos porões da Redentora.

"Orra meu, depois de ser presidente, vou querer ser o quê na vida"? - perguntava-se o Garanhão de Pelotas, com perfil de galo véio que nem tinha cantado naquela manhã e o sol, assim mesmo, já nascera, exibido e colorido como ele só.

No fundo, no fundo, o Garanhão achava uma injustiça ter sido obrigado a largar o osso um dia atrás, carregando nas costas a mochila com mais de 80% de popularidade.

Aí, caiu a ficha de novo: "Bolas, pra quê 80% de preferência popular se eu tive que entregar o Palácio assim sem mais nem menos, numa boa, para uma criatura que, pobre neófita, está apenas começando agora? Pra quê 80% de cartaz se, por exemplo, eu fosse qualquer um ou qualquer uma com menos de 10%, quatro ou cinco que seja, teria que entregar a boca-rica do mesmo jeito e feitio?"... Isso sacudia o seu ego pra tudo quanto era lado da varanda.

"Isso é uma injustiça, uma enorme desigualdade social"! - vociferava para suas próprias e orgulhosas entranhas. "Quero isonomia"! - bradava o Garanhão de Pelotas.

No íntimo ele pensava de verdade que só deveria entregar a cadeira da presidência da república que ele inventou, para alguém que - como ele - tivesse também mais de 80% de popularidade. Mesmo que numa disputa dessas, a progressão aritmética e a matemática pura não conseguissem colocar 160% dentro de apenas 100.

Não perdeu tempo com essas besteiras. Já era 2 de janeiro de 2011. Faltava menos do que ontem para chegar a 3 de outubro de 2014. Os anos voam.

O Garanhão encarou uma vez mais o sol, deu-lhe as costas, arrastou os chinelos com pés de veludo vermelho e foi até o telefone da sala de estar. Preferiu aquele, em cima da mesinha rococó que ganhou lá da Índia, ou coisa que o valha. Era mais seguro que um dos seus oito ou dez celulares:

"Alô, é do meu partido? Diz aí que eu vou voltar a ser seu presidente de honra. Sim, sim... quero mais de 22 mil de salário mensal".

6 de mar. de 2011

Desabafo

O Brasil anda tão chato que dei vida ao Garanhão de Pelotas.

5 de mar. de 2011

Anos

Circulante matinal da Esquina do Aquário, Juliné da Costa Siqueira além de poeta, seresteiro, namorado, advogado, cronista bissexto do Diário Popular e do pioneiro vespertino Opinião Pública, era dono de diversos personagens que botava pra fora ao correr de cada momento. Brincava de viver.

Gostava de brincar. Dividia rimas com Ápio Antunes; apartes imaginários com Vieira Monteiro; convergentes discussões com o destemido Aristimundo Mendes de Oliveira.

Brigava com a desorganizada polícia; com os organizados políticos; com a lerdeza do Judiciário. Defendia fracos e oprimidos. Divertia-se com os toques mágicos de sua bengala dos últimos anos. Não levava desaforo pra casa, mas matava no peito os chistes que lhe eram devolvidos.

Dentre as manias que tinha, uma era desconversar a idade. Levou uma década para sair dos 38 anos e vinte anos para sair dos 66.

Numa incerta data, recebia em casa alguns velhos amigos e outros tantos conhecidos, justamente para festejar mais uma data de nascimento. Falava-se de tudo, tocava-se violão, cantava-se.
Só não se tocava em idade.

Eis que, desavisado, um dos visitantes menos afeito à ojeriza de meu pai pelo número preciso de aniversários, dirige-lhe em meio aos convivas, senhoras e senhores, a pergunta letal:

- Juliné, meu amigo, estás ótimo... Quantos anos tens?
- Um só, está limpo e não é da tua conta!

Serviu-lhe outro drinque, pediu música mais alta e o sarau prosseguiu. Ninguém tocou no assunto. Ele parecia comemorar 66.

CRÉDITO - (Diário Popular, 28/12/2001 - Coluna semanal "Esquina do Aquário" de Sérgio Siqueira, amigo, irmão de fé e assessor de imprensa do Garanhão de Pelotas).

MORAL DA HISTÓRIA - Os anos... Voam.

28 de fev. de 2011

O Novo Reitor

Repórter de rádio feito a martelo, Coutinho de Assis procurava prestar atenção em tudo que acontecia a sua volta. Virou um chato de galocha. Não podia ver uma roda de amigos que se chegava pra perto, querendo agradar. E furungar notícias.

O Garanhão de Pelotas, quando estava na cidade, tinha encontro marcado com os jornalistas de algumas emissoras e dos dois jornais citadinos, à beira do balcão do Cruz de Malta - bar e restaurante com as melhores lascas de porco rodeadas de caipirinha e outros bebericos de ocasião.

Era um sábado, perto de meio-dia. As biritas e os beliscões já tinham começado, quando o foca se aprochegou. Sentindo o gelo do pessoal, afastou-se de leve, pediu um cafezinho e uma empada e ficou por ali mordiscando uma e bebendo o outro, de olhos e ouvidos atentos.

Behrensdorf, macaco velho, começou com a maldade. Assim como quem não quer nada, voltou-se para Edgard Laurent, então diretor da TV Tuiuti, e perguntou num tom alto o suficiente para ser escutado pelo furungador:

- E aí, Laurent, vais cobrir a chegada do novo reitor da Universidade Federal?
- Claro, já mandei minha equipe lá pro Aeroporto - respondeu, malandro, ao perceber a jogada.
- A que horas ele chega?
- Daqui a pouco. Vem de Brasília, o pouso do avião está previsto para às 13h.

Henrique Coutinho deu um pulo. Quase engoliu a empadinha de uma só dentada. Apenas babou-se com o café quente. Aconchegou-se à turma de pinguços convictos e, como quem não tinha escutado nada, foi metendo o bedelho:

- Ei, ouvi dizer que vamos ter um novo reitor na cidade...
- É verdade - disse o Garanhão de Pelotas.
- E já se sabe o nome dele?
- Claro! Mas não se pode falar isso em voz alta. Vou dizer só pra você... - Behrensdorf adiantou-se e segredou o nome do novo reitor no ouvido direito do bisbilhoteiro.
- Ah, já ouvi falar nesse cara.

Logo afastou-se. Naquelas priscas eras não havia celular, então a menos de quinze segundos e três metros da roda de amigos, pegou o telefone de parede do bar e ligou para a Rádio Cultura:

- Ei, Marcos bota aí o prefixo do Correspondente Extra. Tenho um furo para dar no ar...
- Furo, do que se trata?
- De educação superior. Da Universidade Federal. É bomba!

O sonoplasta cortou a programação normal, meteu a chamada de notícia no ar e Coutinho de Assis entrou num fôlego só, com toda a bossa e imponência que a informação exigia:

- Boa tarde, amigos. Dentro de exatamente 22 minutos estará pousando no aeroporto da cidade o avião que traz de Brasília o novo reitor da Universidade Federal de Pelotas. Ele vem para o lugar do Doutor Dagoberto Vieira X. de Andrade que pediu aposentadoria. O novo reitor é de outra cidade e muito conhecido nos meios educacionais. Logo daremos mais detalhes. Por enquanto podemos adiantar que o novo reitor se chama Dr. Honóris... Doutor Honóris Causa. 

O boletim foi interrompido. O Grande Bailado Eletrônico de Sábado foi retomado. E só se falava nisso nos bastidores da emissora, dona de enorme sintonia.

Na segunda-feira, o Garanhão de Pelotas, Behrensdorf e Laurent dissuadiram o diretor da rádio de botar o repórter no olho da rua. Assumiram a culpa pela brincadeira e prometeram não fazer nunca mais nada parecido com o perguntão. E não fizeram mesmo. Dali em diante, todas as frias em que o colocavam eram diferentes. Não tinha uma igual, nem parecida.

MORAL DA HISTÓRIA - Do que se diz em sociedade - numa redação de jornal, num balcão de bar, no microfone de uma rádio - o que mais importa é que seja engraçado; o de menos é que seja verdade.

14 de fev. de 2011

O Catedrático Presunçoso

Se existe no mundo alguma coisa mais impertigada, pernóstica e prolixa do que uma reunião de Conselho Universitário, o Garanhão de Pelotas  desconhece. É, mais do que um encontro entre as cabeças pensantes do Ensino superior, um confronto de vaidades que mistura os corpos docente e discente.

Pois, naquele tempo, o Garanhão  era catedrático de alguma coisa e era conselheiro. E, a reunião começara, como é de bom alvitre nessas ocasiões, com um lauto café da manhã. Logo depois, lida a pauta, o encontro parou para o cofee break - que ninguém ali era de ferro.

Retomados os trabalhos, um circunspecto professor resolveu pensar em voz alta, para que os ínclitos conselheiros todos soubessem que ele estava ali para decidir os destinos da universidade.

Fez pose de intelectual, reclinou-se na cadeira de espaldar alto e, com o olhar perdido pela ampla sala de decisões, empertigou o tom de sua disposição falando para que, além dos meros circunstantes, o chanceler e o reitor também o escutassem:

- Aqui na universidade, precisamos parar para pensar...

Uma advertência absolutamente dispensável, mas com o impacto de um cerebral ponto de partida para qualquer assunto que surgisse a partir dali. O Garanhão de Pelotas  não deixou aquilo passar em brancas nuvens. Com afetada solenidade no falar, dirigiu-se em tom filosofal concreto para o posudo Dr. Honóris Causa:

- Pois de minha parte, professor Honóris, acho que ainda somos capazes de fazer as duas coisas...
- Fazer as duas coisas, como assim? - espantou-se o presunçoso conselheiro.
- Ora, caminhar e pensar ao mesmo tempo.

O pedante correu os olhos pela mesa oval das decisões universitárias e percebeu um leve esgar de ironia no canto da boca de cada participante da reunião. O encontro foi, digamos, profícuo. Pelo menos não foi interrompido em momento algum pelo afetado conselheiro.

MORAL DA HISTÓRIA - Há momentos em que é tão natural quanto oportunista a presunção de alguns que, se os outros mostrarem humildade, vai ficar parecendo que não valem grande coisa.

11 de fev. de 2011

Mucréia!!!

Nos tempos das vacas magras, quando o Garanhão de Pelotas  ainda trabalhava como chefe do setor de contas correntes no falecido Banco da Província do Estado do Rio Grande do Sul, Clarinda foi, disparada, a mais extrovertida e gozadora colega de serviço que ele teve na sua tão árdua quanto breve carreira de bancário.

Tinha sempre uma piada, um chiste, um comentário, uma resposta na ponta da língua. Seu temperamento alegre e comunicativo dava margem a pequenas liberdades, rápidos retruques, ágeis brincadeiras inocentes e respeitáveis. E até, não raro, a alguns certos descalabros de linguagem e tratamento.

O Garanhão  também cultivava o hábito de àquela hora dar uma saidinha para espichar as pernas, endireitar a coluna e fazer um lanche rápido, coroado com um bom sorvete a título de sobremesa.

Naquele dia, Clarinda exagerara no visual: cabelos ruivos, à la homem; blusa floridíssima de fundo vermelho berrante, calças brancas tipo slack, justas, inacreditáveis, incríveis, extraordinárias que se deixavam desenhar pelas bordas salientes de uma lingerie vermelha com ares de fio-dental. Ninguém no mundo da moda imaginaria outra figura igual, com aquele design, com aquele layout. Um espanto.

Quase uma hora da tarde, o Garanhão  saía do restaurante, já comido, quando, nas proximidades da sorveteria deparou, poucos passos à frente, com Clarinda desfilando sua beleza pelas ruas centrais da cidade. Decerto esperava pelo maridão. O Garanhão, não resistiu. Resolveu fazer uma brincadeirinha com a enfeitadíssima colega. Acelerou o passo e deu-lhe um toque no ombro pelas costas, ao tempo em que lhe bafejava pelos arredores da nuca:

- Úúúúú... Mucréia!

A mucréia virou-se mais do que surpresa, assustada. Mais surpreso e assustado ficou o Garanhão... Não era a Clarinda. Por incrível que pudesse parecer, não era a Clarinda. Era uma senhora absolutamente desconhecida. Eles nunca tinham se visto na vida.

Ligeiro, como se fosse Lula diante de um escândalo qualquer do seu saudoso governo, o Garanhão  não demonstrou qualquer sinal de rubor armou um sorrisinho amarelo e foi logo dizendo:

- Hi, pensei que era a minha mulher. A minha esposa tem uma roupa igualiznha a esta. Desculpe, por favor, desculpe.

MORAL DA HISTÓRIA - Existem pequenas mentiras que diante da força dos exageros se transformam em grandes e salvadoras verdades, ou... sempre é melhor uma boa desculpa do que nenhuma.

9 de fev. de 2011

O filme de sábado

Naquele entardecer de sábado, o  Garanhão de Pelotas  tava nem aí para a perspectiva de domingo. Não queria nem saber do ronronar da secretária executável que resolvera não aproveitar o weekend que o galante Cavaleiro dos dois Pampas havia concedido ao trio maravilhoso de pau, melhor, de mão pra toda obra que sempre o acompanhava aonde quer que ele estivesse, ou fosse. A loira resolvera ficar para fazer nada o tempo todo com ele.

Entediado, o Garanhão  cutucou a secretária N° 1, uma da Sete Maravilhas da vida contemporânea, desligou a TV e, num instantinho estavam no Jaguar XF-2009 rumo a uma locadora de DVDs.

Chegaram logo, a locadora ficava por perto da residência do nobre filho da Princesa do Sul, bem no centro da cidade. O Garanhão  ficou no carro, enquanto a loira foi à loja de filmes alugar a encomenda do seu amo e senhor.

Um minutinho depois, nem isso, e o sábado modorrento explodiu de emoção. O Garanhão  deparou na janela a seu lado com a figura de um crioulo senegalesco, cavalar, tridimensional que lhe apontava uma faca desse tamanhão e fazia gestos indecorosos de que queria grana.

- Perdeu, mano. Perdeu. Dá o que tem aí!..

Coração batendo mais que bongô, olhos esbulgalhados como se fossem os dois faróis do Jaguar, o Garanhão  manteve serenidade aparente e, com um esgar tipo sorriso, espalmou-lhe a mão esquerda como se fosse um guarda de trânsito pedindo calma. Um gesto assim como se tudo estivesse bem; que ele faria tudo que o assaltante queria...

Pura encenação. O larápio piscou e o Garanhão  arrancou, com um torque de cantar pneu, saindo do zero para 150km num átimo de segundo, deixando o assalto pra trás e o assaltante estatelado no meio-fio da calçada. Teve um transeunte que ainda escutou o bandido cuspir entre dentes uma imprecação:

- Safado! Mauricinho bem fiadaputa, esse!

Envergonhado e fracassado, o ladrão se levantou, guardou a faca e saiu de fininho. Aquela quase noite de sábado não estava começando para bem para ele.

A Um quarteirão dali, o Garanhão arriscou os olhos no retrovisor. Pra quê?!? Estava sendo seguido. Era sequestro. Vingança, quem sabe, da gangue do assaltante que deixara esparramado no meio da rua. Acelerou mais, atravessou todos os sinais fechados. Por azar, entrou num beco sem saída, ao lado da praça municipal.

O carro que o perseguia, estancou num freada maluca, a poucos centímetros do Jaguar. O Garanhão já se recriminava por ter saído sem a sua Beretta .30, quando viu a sua loiríssima secretária correndo aflita ao seu encontro. Ela estava acompanhada do primo-irmão que, por benesses do destino, encontrara na locadora. O carro era dele.

- Calma, meu amor, calma. Sou eu. Nós vimos tudo. Só queremos saber se você está bem...

Bolas, era ela; sempre ela. Lépida e diligente. Mas, a constatação de que se tratava dela e não de uma nova tentativa de ataque, chegara um pouco tarde demais. O que tinha que acontecer com os nervos e as reações intestinais do nosso herói, já tinha acontecido.

- Obrigado. Muito obrigado, mas podem ir pra casa. Eu...eu vou ali no banheiro da praça.

E foi. Bom tempo depois pegou o caminho de casa. Lá encontrou a secretária N° 1 completamente concentrada no maior sucesso daquele ano nas locadoras: "Uma mente brilhante". O filme já estava pra lá da metade. O Garanhão foi tomar uma ducha antes de revigorar-se numa demorada seção de hidromassagem.

MORAL DA HISTÓRIA - É bom temer sempre o pior; o melhor acabará se salvando por si mesmo. Mas é miserável o estado daquele que, à vezes, está querendo poucas coisas, quando tem muitas a temer.