14 de mar de 2011

LIVROS A QUALQUER ESTANTE

Série Livros – I
Saber envelhecer, Cícero e as articulações
Por Carlos Eduardo Behrensdorf - Brasília

Um dito popular lembra o seguinte: quem é vivo sempre aparece. E mostrando que o povo sabe o que diz, aqui estou eu mais uma vez, formalmente buscando guarida neste insubstituível e perene Sanatório da Notícia.

Dando um toque poético ao retorno lembro o que cantava o pensador noturno Nelson Gonçalves, menestrel com raízes fronteiriças do Sul do Brasil; “Boemia, aqui me tens de regresso, e suplicante te peço a minha nova inscrição”.

Antes de me acomodar no meu antigo quarto quero dizer que tudo vai bem. Inicialmente, dedicarei parte de meu repouso falando em alguns livros que li ou lerei, e fatos que ocorreram ou ocorrerem neste conturbado século 21, aquém e além fronteiras.

Não sei se “aquém” está bem colocado e muito menos se diz o que quero dizer e, muito menos se a frase é correta, mas rima e gostei do som.

O primeiro livro escolhido não é exatamente um novo best-seller. O titulo tem tudo a ver: “Saber envelhecer”, de Cícero, tradução de Paulo Neves, editado no Brasil pela L&PM Pocket, impresso no inverno de 2009.

Antes que me perguntem, informo:

“Marco Túlio Cícero nasceu em Arpino, próximo de Roma, em 106 a.C. e morreu assassinado pelo centurião Herênio a mando de seu inimigo político Marco Antonio. Político influente, jurista, orador, filósofo, sua obra – vasta e diversificada – é uma das mais importantes da literatura latina e influentes na cultura universal. Escreveu 10 tratados filosóficos, entre os quais Re Publica, De Natura e De Legibus. Quase 1.000 cartas, dezenas de orações, tratados de retórica e as célebres Catilinárias.

Neste límpido texto sobre a velhice, Cícero desenvolve a tese segundo a qual "... a arte de envelhecer é encontrar prazer que todas as idades proporcionam, pois todas têm suas virtudes.” Com esta mini-biografia fica provada uma coisa: contracapa também é cultura.

Cícero tenta convencer ou animar seus leitores que já passaram dos 30, ao escrever: “Em verdade, se a velhice não está incumbida das mesmas tarefas da juventude, seguramente ela faz mais e melhor”.

Há controvérsia.

Um amigo meu, devidamente aposentado me disse o seguinte: “O meu problema maior é com as articulações: o que tem que articular enrijece e o que tem que enrijecer flexiona.”

O que será que ele quis dizer com isso? Assim que eu souber a resposta, informo.

RODAPÉ - Eis que Heron abre suas asas e, renascido das cinzas de sua reciclagem européia, volta aos corredores nacionais deste Sanatório. Behrê é um jornalista especialista na arte da vida e seus textos são carregados da cultura que encanta nobres e plebeus. Não dá pra não ler. A equipe de plantonistas do noscômio já emitiu o boletim médico de Carlos Eduardo Behrensdorf: "Não tem remédio. Sofre de um desvio raríssimo no mundo atual, a STI - Síndrome de Talento Incurável". E concluiu: "Baixa autorizada, desde que seja, para internar-se no quarto ao lado da suíte do Garanhão de Pelotas".

NOTA DA REDAÇÃO -  O Garanhão de Pelotas, velho amigo de Behrensdorf, ficou enciumado pela baixa inicial do companheiro bom e batuta ao Sanatório da Notícia  - peça integrante da network aqui da pandilla de sevandijas bem intencionados - e trouxe-o meio de maca, muletas e bengala para as prateleiras do blog que vê a vida cor de rosa. Behrê está em casa.