1 de mai de 2011

POR 50 PILAS!

Isso aconteceu lá pelos confins do segundo milênio, no século repassado. Então, por absoluto decurso de prazo e, em razão da validade vencida, o Garanhão de Pelotas  vai cometer a ousadia de revelar um de seus segredos mais bem guardados. Ele um dia se casou, tchê!

Até hoje, nem ele mesmo sabe se foi por amor ou por interesse. Casou. Casou e pronto. Foi com uma conterrânea, uma pelotense de escol, da nata - e que, de bonita não tinha nada. Mas deixa os detalhes pra lá.

Em Pelotas, para quem casava naqueles anos dourados, o it da moda era passar a Lua de Mel no Rio de Janeiro, capital da República e coisa e loisa.

Naquelas priscas eras, o simples fato de ir ao campo de aviação embarcar no aeroplano, era uma inusitada e chique aventura. Inda mais quando o aparelho era um Constelation da Varig, fretado pela Sadia.

Pois o galante Garanhão  cometera de uma sentada só (epa!) duas grandes arteirices: casou sem eira nem beira e viajou de Constelation.

Mariana Bibiana, sua dileta consorte, não era lá o que se poderia chamar de um peixão, mas o dote do velho sogro bem que financiava com sobras o vôo para a "capital e coisa e loisa".

Viagem vencida e roteiro mal enjambrado, pousaram em um hotel tão pouco estrelado quanto bem recomendado, ali no burburinho da Avenida Atlântica.

Casamento consumado de fato na alcova da estalagem, o ainda frangote Garanhão de Pelotas, deixou a noiva extenuada a dormitar o lindo sono do depois e saiu para um bordejo inocente ao cair da tarde, pela orla de Copacabana.

Menos de meia hora depois, ele chegava de volta ao hotel, quando uma piranha atrevida, rodando a bolsinha, se aproximou e lhe disse:

- Pra você, são só 50 pratas, meu bem.
- O quê, 50 pilas, tu tá tantan!

E se mandou para o apartamento nupcial. Não demorou muito, o Garanhão  saía de braço dado com sua feiosa, mas toda produzida, Mariana Bibiana para lhe mostrar o Rio e jantar no Barril.

Ainda nas cercanias da porta de entrada do hotel, ao passar pela decaída que o topara, além de vislumbrar um ar de deboche no semblante da sirigaita, ainda teve que fingir que não ouviu:

- Bem feito, seu pão-duro. Tá vendo só o que você arranjou por menos de 50 pilas?!?

MORAL DA HISTÓRIA - Não deve julgar-se injuriado pelo engano, aquele que conhece o seu engano.