6 de out de 2011

FLORES PARA O SOLDADO DESCONHECIDO

Esta aqui é em off. Não daqueles offs de políticos traíras que entregam o ouro pedindo sigilo só para que os jornalistas atirem a matéria na pá do ventilador sem qualquer prurido contra os odores que se espalharão. É off mesmo. Fique sabendo, pois, mas bico de siri. Tem que comer em tranca. Sigilo absoluto. Mais sigiloso que conta bancária de caseiros brasilienses.

O caso é que, neste exato momento, como repórter investigativo, estou infiltrado na comitiva de Dilma - A Bruxelante, que passeia pela Bélgica. Ela pensa que sou um dos assessores de Aninha de Hollanda - A Carioca que de holandesa não tem nada.

R. Stuckert F°/PR
Flores para o Soldado Desconhecido búlgaro.

Aninha tem é direito de achar que tem direito a diárias e hospedagens pagas pelas burras públicas pelos fins de semana que passa no Rio de Janeiro, cidade onde é residente e domiciliada desde que foi dada à luz pela mãe de Chico Buarque, seu irmão de fé, amigo e líder - sempre muito lido e ouvido pela nossa presideusa.

Dentre idas e vindas por lugares nenhuns já estivemos em Bruxelas, neste mês das bruxas, mas na ansiosa espera, na angustiante expectativa de ir à pequena Gabrovo, torrão natal de Pedro Rousseff - O Grande Pai da faxineira que no périplo entre a capital belga e Sófia, antissala do fim do mundo búlgaro, se transformou na humanitária enfermeira que se oferece para curar as dores e as crises do mundo ocidental.

Já estamos na Bulgária desde ontem. Estou aqui e agora - cale a boca, por favor! - infiltrado no grupo que segue Dilma - A Impoluta, até o Túmulo do Soldado Desconhecido. A coroa acaba de depositar uma xará de flores na tumba onde jaz tombado o herói que tombou na primeira guerra mundial, mas que recebe homenagens até hoje por todo e qualquer sinal de conflagração internacional.

Não há capital no mundo que não tenha o seu Soldado Desconhecido. O Rio de Janeiro, não tem. Ou tem. Mas isso não conta, pois se você não sabe, a capital do Brasil não é mais o Rio, desde JK que nunca foi desconhecido.

O que eu posso observar daqui detrás das lentes de minha câmera Rolleiflex é que ela já se afasta do túmulo e está com cara de guerreira ensandecida. Neste instante Dilma sussurra algumas imprecações retumbantes na orelha dos despejos de uma assessora da assessora da secretária do patriota titular da Pasta das Relações Exteriores do Brasil.

Ó, nesse momento, a servidora para assuntos de cerimonial e precedência afasta-se da primeira-presidenta. Vou ver se chego até ela. Pronto, cá estou. Ela é simpática, mas está com os olhos marejados. Vou ver se consigo alguma informação.

- Ei, gracinha, o que foi que deixou a nossa presidenta tão chateada?
- Chateada?
- É, ela tá com cara de quem levou uma sapatada, uma bengalada, sei lá...
- Nada demais. Ela só ficou puta da cara porque não compareceu ninguém da família do Soldado Desconhecido à solenidade... Ela achou isso uma desfeita, uma desconsideração, um desaforo.
- E daí?
- Daí que ela não adimite falhas no cerimonial. Está pensando seriamente em exonerar o Antonio Patriota assim que voltar ao Brasil.

Pronto. Valeu a pena vir até esta solenidade boba, criada só para preencher espaços vazios de agendas oficiais de quem não tem mais o que fazer na terra dos outros. Mas, por favor, não conte nada pra ninguém. Do contrário, vou ter que ir a Ancara, na Turquia, em avião de carreira.

De qualquer maneira, acho que tenho a manchete de hoje para os meus jornais: Soldado Desconhecido búlgaro derruba mais um ministro de Dilma!

MORAL DA HISTÓRIA - O Garanhão de Pelotas também é cultura. E não acredita em off.