3 de ago de 2011

O FISCAL E O PESCADOR

O Garanhão de Pelotas  cumpria mais uma missão ministerial, como fiscal federal do Departamento de Escoamento da Produção do Ministério da Agricultura. Andava pelas beiradas da ponte da Amizade que liga o Brasil ao fim da picada, logo ali depois da Foz do Iguaçu.

Foi pelas quebradas - que ele não é maluco nem nada para seguir aquele caminho natural da rota da produção. Pelas cercanias da ponte, ele deu de cara um muambeiro que, mesmo sem saber de quem se tratava aquela figura imponente que se aproximava com pés de algodão, fingiu que estava pescando.

O Garanhão aprochegou-se do pescador e puxou conversa mole:.


- Você está fazendo o quê aí, amigo?
- Pescando…
- Já pescou alguma coisa?
- Xiiii…Uma cacetada…Peguei peixe de tudo que é espécie, tamanho e feitio!
- Você sabe quem eu sou?
- Não…
- Sou fiscal do governo e aqui é proibido pescar!
- E você, sabe quem eu sou, senhor fiscal?
- Não faço a menor idéia…
- Sou o maior mentiroso do mundo!

O Garanhão  sorriu e deixou tudo por isso mesmo, afinal, o próprio ministro da Agricultura vivia alertando que era a favor de uma viligância mais branda, por que "fiscalização é um negócio antidemocrático". Era bem como o próprio mandachuva vivia repetindo, "detesto toda e qualquer atitude que possa sequer lembrar que vivemos num regime policialesco".

A firme convicção do ministro deu ao Garanhão de Pelotas  a certeza de que o melhor mesmo era deixar pra lá. O muambeiro tinha se saído bem. E, se há uma coisa que o Garanhão  admire nas pessoas é a presença de espírito.

E, além do mais, aquilo ali não é nada, não é nada, não era nada mesmo. O que significava aquele contrabandozinho ali na fronteira de Foz do Iguaçu, diante do estouro da boiada lá na Rússia e o escândalo que fez a Conab se transformar no Denit do Ministério da Agricultura?!?

MORAL DA HISTÓRIA - Se não se pega peixe graúdo, por que vai se fisgar um lambari?!?