1 de fev de 2011

O N° 1 do Mundo!

Era uma vez... o tempo em que o Garanhão de Pelotas, em mais uma de suas notáveis transformações de personalidade, se deixou encarnar num cara bom de papo e ruim de colégio. Foi quando ele concluiu que trabalhar era o caminho mais curto para subir na vida. E se convenceu que era um tremendo vendedor. Seria capaz até de vender notas de 50 por 100 reais.

Tinha sempre uma boa história pra contar. Cada caso era um causo. Sempre alguém, ou alguma empresa lhe devia dinheiro de comissões e vendas realizadas em lugares e datas sempre incertos e não sabidos.

Dos dentes pra fora, vendia pra burro. Passava o tempo mentindo, enquanto não conseguia uma vaga.

Pois, naquele dia deu de cara com um  cartaz na vitrine de uma loja de eletroeletrônicos e outras quinquilharias anunciando que tinham vagas.

Decidido, foi entrando, arrancou o cartazete e se dirigiu ao primeiro vivente por ali que tinha cara de gerente.

Entregou-lhe o anúncio impresso e, transbordando auto-suficiência já foi logo dizendo:

- Pronto, tá aqui o melhor vendedor do mundo. Eu sou o N° 1.
- Número 1 do mundo?
- É, o N° 1... O quié que vocês querem que eu venda?
- Olha, temos estas telas coloridas de galalite para usar na TV...
- Deixa comigo. Quanto tempo eu tenho pra vender essa meia dúzia aqui?
- Uma semana, tá bom?
- Deixa comigo.

O Garanhão  pegou a embalagem com umas vinte telas de superposição a visores de tevê em preto e branco e, cheio de confiança, foi à luta. Dez dias depois, apareceu na loja, com a mesma empáfia. O gerente festejou:

- Salve o N° 1. Salve o maior vendedor do mundo! Salve o N° 1...
- Número 2! Número 2, por favor... O N° 1 é o cara que vendeu essa telas pra vocês!

Entregou a mercadoria e foi para os bares da vida vender alhos por bugalhos. Cheio ainda de comissões por receber, o Garanhão de Pelotas  acabou voltando para o colégio. Formou-se no fim do ano, com louvor. Pra burro ele não servia. Mas deve as mensalidades daquele ano letivo até hoje.

MORAL DA HISTÓRIA - A inclinação de confiar naqueles a quem não conhecemos tem razão de ser: é que até então não tinham nos enganado.