3 de fev de 2011

Quem sabe, sabe...

A última inovação tática no futebol brasileiro se deu há quase 25 anos. Não demora nada, está celebrando bodas de prata. Em 1978, na Argentina, Cláudio Coutinho - que nunca jogou bola - apelidou de overlaping o que Nilton Santos já fazia em 1962.

Aí, nos especializamos em cobrar faltas. Até goleiro bate. E bate como ninguém.  No Brasil, afora José da Cruz e Souza - campeão de tênis sem rede e sem bolinha - todo mundo nasce craque e nem precisa ter, só para desdizer Ronaldinho, "um pouquinho de Flamengo". No Brasil até a mãe do Garanhão de Pelotas  tem bola no Pé.

Reprodução/Blog JovemPan
Pois agora, vésperas de 9 de fevereiro, dia de amistoso com a França, o Garanhão  rememora o glorioso 10 de agosto do ano passado, data de estréia de Mano Menezes na Seleção contra  um conjunto dos Estados Unidos, em Nova Jersey. Mano entrou de pé direito: 2 a 0 numa equipe que tinha tudo para ser campeã mundial de beisebol e olímpica de natação.

E ganhamos, nós e o Mano Menezes, por 2 a 0. Foi bom, mas ficou a sensação de que poderia ter sido um pouquinho mais, coisa assim de 6 a 1, como foi aquele amistoso que o Dunga fez contra a Islândia, antes de começar a Copa da África.

Mas aí também esse 1 seria demais. Doeria, porque contra a Islândia ou aquele time dos americanos de Nova Jersey, até a mamãezinha do Garanhão  jogava. Jogava mesmo. E o Garanhão  mata a a cobra e mostra o pau.

Ontem mesmo - é ele quem conta - cumprindo a habitual visita de médico que o Herói dos dois Pampas faz a sua genitora, desde que ela deixou o hospital, o Garanhão  foi testemunha ocular do golaço que ela marcou ali mesmo do seu lado.

Cercada de dores pela crise dos seus lúcidos e fantásticos 87 anos, ela conversava com o nobre filho, atilada e dorida, sobre futilidades, coisas genéricas: tempo, netos, receitinhas caseiras, remédios...

O Garanhão  se distraía com o papo e com uma bola de plástico das crianças da casa. A bola - leve como uma jabulani - fugiu do seu controle e foi cair aos pés da mãe convalescente, na cadeira ortopédica. Ela não desperdiçou a chance: por reflexo, expedita e esperta com a mobilidade de um Romário na área de risco, ela bateu na peronha, de pé direito.

A bola foi em cheio na tela da TV, bem no meio do Globo Esporte. Ironia: o goleiro dos Estados Unidos estava no ar. Ele nem viu por onde a bola passou. A assessoria de Barak Obama jura que o goleiro era aquele da Islândia.

MORAL DA HISTÓRIA - O Futebol, tá no sangue do brasileiro. Basta saber bater na bola que nem precisa de treinador. Muito menos de 200 amistosos até à próxima Copa do Mundo. Ainda mais que ela já tá no papo... Vai ser aqui em casa.