6 de out de 2012

Mau-Humor Eleitoral

Sabe, porque hoje é sábado, eu levantei de bronca . E se você não quiser se incomodar, não me pergunte por quê. Levantei de pé errado e pronto. Este é um sábado, começo do fim de semana. Não tem nada a ver com ressaca de sexta, ou fastio de quinta-feira. Eu acordei contrariado.

Cale-se! Eu já vou explicar. Estou de bofes virados porque sou dono do meu nariz e pronto. Eu o torço para o lado contra quem eu bem quiser. Sou murrinha, enjoado, chato?!? Hodase el mundo yo no me llamo Raimundo, ni Clarimundo o Edmundo o Cudomundo!

Ou você agora, vai me chamar de pornográfico só porque não conhecia o codinome Cudo, ao qual se pode acrescentar qualquer prefixo, sem pruridos de crucifixo?!?

Eu me levantei assim, com a firme convicção de que regras foram feitas para serem quebradas e a cara de quem não gosta, também. E, antes que me esqueça, antipático é a sua avó torta que a direita já tá morta!

Eu acordei neste pleno início de fim de semana assim. De mal com a vida, de mal com o mundo e só por isso não quero que você me interrompa quando eu não estou sequer falando com você! Cale-se! Não me estranhe, mas saiba que ninguém acorda cretino, há quem - diferente de você, idiota - tire a noite para especializar-se em patifaria. E para esse tipo de gente a noite é sempre uma criança.

Então, porque estou com  a macaca, com raiva da vida, num desses dias em que até o banho de ducha me dá nojo, me sinto assim um passarinho, livre o bastante e capaz mais ainda de fazer cocô na cabeça de quem eu bem entender, ou de quem quer que se apresente sob meus voos livres.

Como nunca antes na história desse país, eu me sinto maravilhosamente mal-humorado. Por isso, não se metam hoje a testar meu mau-humor porque, no ato de fazer o primeiro xixi e depois escovar os dentes, eu já o testei e... me dei mal.

Bosta, hoje é sábado, quase domingo de outubro no Brasil, véspera de eleição. Queriam que eu me acordasse o quê: feliz da vida pelo direito de exercer a democrática obrigação de votar num mequetrefe desses? Olha, não sou de guardar rancor, mas não esqueço jamais aquilo e aqueles que me fazem mal.

Não, não é que eu vá votar em branco; não, não é que eu vá anular meu voto; não, nunca jamais, não é que eu vá exercer o direito de, em sendo septuagenário - e o Garanhão pode ser septuagenário e centenário e milenar quanto queira - me prenda a praticar a liberdade de isenção que a lei eleitoral me faculta... Não é que seja isto. Não voto hoje porque sou feliz como uma pássaro, faço cocô na cabeça de quem me dá na cabeça.

Eu hoje me levantei assim. Em vez de votar vou tomar um baita porre. E ninguém, nem mesmo o Tribunal Superior Eleitoral, poderá mandar me prender. Orra, se beber fosse pecado, Jesus Cristo teria transformado a água em suco e não em vinho!

Vou beber, por pura rebeldia. Levantei contrariado, pô! Estou de mau-humor porque quando essa cretinalha sorri é porque já sabe em quem pôr a culpa. Então, porque me levantei de maus bofes, venha comigo. Siga meus passos nesse dia de eleição: vote em ninguém!

Venha comigo. Eu sou bom companheiro; bom e batuta; você é o filho da mãe: beba, ao invés de votar. O porre vai ser o mesmo. E a ressaca pior ainda. Siga-me. Eu só dou bons conselho; não tenho a menor vocação para bons exemplos. Não sou como eles.

Siga-me. Eu sou o Garanhão de Pelotas. Eu me responsabilizo pelo que digo, não pelo que você acha que entende.

MORAL DA HISTÓRIA - Com o mau humor deste domingo de eleição, eu sou tão pernicioso quanto 99,9% dos candidatos - e qualquer sugestão que lhes apresente só vai piorar qualquer mau-exemplo.Sigam-me os que forem brasileiros!